Nos Studios: o novo canal de filmes do operador que domina o sector dos filmes

Canal que também é um serviço on demand estreia-se esta terça-feira com A Hora Mais Negra e um mês grátis. “Queremos que os filmes viajem muito rapidamente das salas de cinema Nos para as salas dos clientes Nos.”

"Tomb Raider", com Alicia Vikander
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"Tomb Raider", com Alicia Vikander DR

Na noite desta terça-feira nasce o “primeiro canal 100% Nos”. É um canal dedicado ao cinema e lança-se com um filme oscarizado, A Hora Mais Negra, mas é sobretudo mais um ecrã que espelha a posição dominante deste operador tanto no mercado do cinema quanto de televisão. A ponte que faz, apoiada nessa posição dominante é esta: “Queremos que os filmes viajem muito rapidamente das salas de cinema Nos para as salas dos clientes Nos”, disse João Diogo Ferreira, director central de conteúdos da empresa.

O Nos Studios opera em várias frentes: é um canal convencional na televisão linear (na posição 16 para os subscritores da Nos, sendo um canal exclusivo deste operador) mas também um serviço de vídeo on demand na sua versão Nos Studios+ (nas boxes e na aplicação Nos TV, Uma TV e Iris). Como canal que se encontra numa convencional sessão de zapping, o Studios estreia um filme por dia e tem programação por segmentos. As manhãs de fim-de-semana e feriados são da animação, e aos domingos é animação com a marca Disney/Pixar. As tardes e noites de sábado são de “emoção” (de Roda Gigante, de Woody Allen, a As Cinquenta Sombras Livres) e os domingos para a acção (Tomb Raider com Alicia Vikander, ou o Batalha do Pacífico), com a grelha a prever ainda especiais temáticos de terror ou cinema português (O Pátio das Cantigas, O Fim da Inocência).

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"A Hora Mais Negra" DR

Os títulos que lhe servem de cartão de apresentação são ainda o mais recente Mamma Mia! Here We Go Again, A Forma da Água ou Deadpool 2, além de A Hora Mais Negra, que deu a Gary Oldman o Óscar de Melhor Actor na pele de Winston Churchill, e que marca a noite de estreia às 21h15, a par de Mark Felt: O Homem que Derrubou a Casa Branca. Todos com datas de estreia nos cinemas entre 2017 e 2018 e todos fruto das parcerias com os estúdios Disney, Fox, Universal, MGM ou Warner — as majors de Hollywood com as quais a Nos trabalha como distribuidora e exibidora. 

A Nos é há anos o maior distribuidor e exibidor português, sendo que 3,4 milhões dos espectadores (61,1%) que foram ao cinema nos primeiros seis meses do ano o fizeram num cinema Nos; no mesmo período, a Nos Lusomundo Audiovisuais teve 70,2% da receita bruta da distribuição de filmes em Portugal (29,9 milhões de euros). A Nos continua a ser o principal operador de televisão por subscrição, com 41,2% dos assinantes no mercado. A Meo segue-a de perto com 39,2% dos assinantes. O Nos Studios “vai beneficiar de todas as parcerias de acesso aos melhores filmes, sejam de majors ou independentes”, precisou João Diogo Ferreira.

O Nos Studios custa 5 euros por mês mas é gratuito neste seu primeiro mês de vida e sê-lo-á sempre para os clientes do serviço Uma da Nos; também poderá ser integrado no pacote de canais extra do operador. Este novo canal premium junta-se a outros do género, premium e de cinema, mas que não são exclusivos Nos, os TVCine. Mas o Nos Studios não serão a primeira janela de exibição televisiva dos filmes mais recentes. “As estreias continuam a ser nos canais TVCine”, disse o director central de conteúdos da Nos ao PÚBLICO.

Em Portugal não há regras firmes para a duração do intervalo entre a exibição dos filmes nos cinemas e a sua chegada a outros ecrãs, mas a prática comum é que seja de três ou quatro meses. Primeiro tendem a estar nos videoclubes dos operadores, depois nos canais premium. O Nos Studios é um canal e um serviço não-linear premium, e terá “exactamente a mesma recência” que os canais TVCine, mas estes são segmentados e o Studios quer posicionar-se, na experiência de televisor, como “um canal único para toda a família”.

O administrador executivo da Nos Luís Nascimento apresentou aos jornalistas o contexto na origem da criação do novo canal. “Os portugueses vêem cada vez mais conteúdos”, uma média de 340 minutos diários no principal ecrã de uma família segundo dados da analista de mercado GfK. Se o streaming como o do Netflix ou Amazon Prime, tem vindo a crescer (mais 8 minutos de atenção por dia que em 2017), “não tem sido às custas do linear”, diz Luís Nascimento. Essa televisão tradicional é ainda vista em média durante 290 minutos diários por cada família, segundo dados do período 2017-2019. E na televisão por subscrição, ou seja excluindo a programação dos canais generalistas, 28% dos portugueses preferem filmes e séries. Nasce então “um canal de filmes que tem obviamente uma experiência essencialmente linear mas que foi pensado já para as novas tendências”, rematou o administrador da Nos.

O Nos Studios prevê ter mais de 50 filmes já esta terça-feira na sua versão on demand, o Nos Studios+, e no final de Julho a conta deve subir para mais de cem.

De acordo com o regulador do sector, a Anacom, no final de 2018 85,9% das famílias portuguesas dispunham de TV paga mas o número de subscritores de canais premium atingiu “um mínimo histórico” — (15,8%). O que está sim a crescer é a subscrição de serviços de streaming on demand, como o Netflix, a Fox Play, o Nos Play ou a Amazon Prime – “o Netflix foi o serviço mais subscrito (9,5% dos indivíduos)”, lê-se no relatório do regulador.

A Nos justifica a criação do Nos Studios+ quando já tem o Nos Play por serem ofertas “complementares” e de mais um canal premium num momento de contenção das assinaturas deste segmento por considerar, nas palavras de Luís Nascimento, que o recuo não diz respeito aos filmes e séries. A Nos mantém em aberto a criação de novos canais temáticos, como o Nos Sports, cuja marca já registou na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), mas não avança datas.