Crítica

A salteadora da marca perdida

O regresso de Lara Croft sob os traços da sueca Alicia Vikander é um filme certinho, bem feito, mas profundamente inútil.

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Vão-nos desculpar a franqueza, mas a verdade é esta: não precisávamos de uma nova versão cinematográfica da heroína dos video-jogos Lara Croft. Fizeram-se já dois filmes com Angelina Jolie no papel de Lara, que ajudaram a fazer da actriz uma convincente heroína de acção; nenhum deles é recordado como um grande filme e ambos cumprem o seu destino de preencher sem dor matinées televisivas sem dor. Esta nova versão das aventuras da filha do lorde aventureiro faz de conta que o que veio antes não existiu, mas em tudo o resto é tão esquecível, e tão destinado a preencher sem dor matinés televisivas, como os seus predecessores.

Realizado competentemente mas sem chama pelo norueguês Roar Uthaug (Alerta Tsunami), Tomb Raider colheita 2018 aspira à matriz Os Salteadores da Arca Perdida (o objectivo final é um misterioso túmulo numa ilha perdida nos mares do Japão, guardado evidentemente por armadilhas engenhosas), com uns toques da remake do King Kong por Peter Jackson. E a sueca Alicia Vikander, que é uma actriz assaz estimável (venceu o Óscar de Actriz Secundária por A Rapariga Dinamarquesa), tem o pêlo na venta necessário para calçar as botas da Jolie.

Mas nem essa pontual remissão para as velhas fitas de aventuras exóticas, nem a presença de Vikander, conseguem fazer esquecer que Tomb Raider é uma simples tentativa de repôr a render no grande écrã um franchise que, na verdade, não precisa do cinema para nada. Isso torna o filme de Roar Uthaug, por mais certinho que seja, inútil. E, francamente, filmes inúteis é o que mais para aí há – sobretudo nas matinés televisivas.