Rádio Faneca volta a dar música (e outras coisas mais) a Ílhavo

Festival toma conta do centro histórico de sexta-feira a domingo e a população local volta a assumir um papel activo em muitas das performances e actividades previstas.

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Durante o festival haverá uma entrevista a Domingos Cardoso ADRIANO MIRANDA/PUBLICO
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A Orquestra da Bida Airada, que era já uma das marcas fortes do festival, vai trazer novidades ADRIANO MIRANDA

Ruelas estreitas e uma boa dose de becos e vielas. O centro histórico de Ílhavo quase parece um labirinto e, para quem chega de fora, o mais provável é que se sinta a “Andar à Nora”, expressão popular que acaba por dar nome a uma das novidades da edição deste ano do Festival Rádio Faneca. Um percurso artístico que convida à desorientação pelos becos de Ílhavo, que desafia a ouvir e a apreciar a vida das vielas, e que é apenas uma das muitas propostas da edição deste ano do festival que foi buscar o nome (e a inspiração) à emissão sonora que, antigamente, animava o espaço público. O Rádio Faneca arranca esta sexta-feira e prolonga-se até domingo, voltando a colocar a população local como co-organizador e interveniente nas actividades previstas.

Os concertos voltam a ser uma das apostas fortes do cartaz desta que é já a sexta edição do festival ilhavense. Diabo na Cruz, Conan Osíris, Flak, Moonshiners, Bruno Pernadas (no palco do Jardim Henriqueta Maia), João Berhan, Lince, Pedro de Tróia, Les Saint Armand (nos becos) e Joana Espadinha (no Aquário dos Bacalhaus) terão a seu cargo a componente musical do festival. Mas não serão os únicos protagonistas da festa, uma vez que o festival também se faz de performances, visitas guiadas, jogos, entre outras actividades. 

Este é um festival de “projectos especiais”, destaca a organização, sem esquecer essa componente essencial: há uma rádio a sério, que se instala no Jardim Henriqueta Maia e que se faz ouvir durante os três dias do festival - emite em FM, em 103,9 (sendo possível ouvi-la em Ílhavo e arredores) e também online (em áudio mas também em vídeo). 

“Este ano, ela volta a ser também um palco e a receber não só rubricas com convidados especiais, como concertos e outros momentos inéditos”, destacou Luís Ferreira, programador do 23 Milhas – projecto cultural de Ílhavo. 

Outro dos dados já adiantados em relação à programação radiofónica, é que ela celebrará a palavra, em especial o linguajar ilhavense – haverá uma entrevista a Domingos Cardoso, autor de Palabras co bento no leba, a poesia local também se fará ouvir, entre outras apresentações. 

A Orquestra da Bida Airada, que era já uma das marcas fortes do Festival Rádio Faneca, “deixa arrumados os seus cinco anos em disco e assume uma nova cara, o projecto Bida Airada, que se reproduzirá em diversas manifestações, orientadas pela Ondamarela, ao longo do ano, para além do festival, e sempre, ainda, em comunidade”. 

E por falar em comunidade, o projecto Casa Aberta volta a ser uma das referências do programa, orientado este ano pela artista Marina Palácio, que convida os anfitriões a pensar as suas histórias e a relacioná-las com a fauna e a flora da região. Quem também está de regresso são as Histórias nos Becos, trabalhadas por Cláudia Gaiolas, bem como os jogos tradicionais do Hélder, que rumam do Jardim Henriqueta Maia aos becos.

Entre as novidades da edição do festival que tem entradas livres está, então, o “Andar à Nora”, produzido pela Burilar. Na prática, é um mapa-jogo que oferece a oportunidade de os participantes “se perderem e de escolherem os desafios a enfrentar enquanto vivem a vida de vizinhos”. O ponto de partida é dado através de “um jogo de cartas que é distribuído aos participantes”, desvenda Lara Soares, da Burilar. Neste jogo, que se inicia a partir do desenho de um mapa que cruza o território aparente e a memória, a proposta passa por, através de objectos instalados no espaço público, escutar, conversar, imaginar e apreciar a vida dos becos. 

Um percurso que vai repetir-se nos três dias de festival e em vários horários. Nos três dias, a programação estende-se entre as 10h00 e as 02h00, reservando, também, espaço e actividades para os mais novos. Na Calçada Carlos Paião, nos três dias do festival, entre as 10h00 e as 18h00, acontece uma Oficina do Brincar.