Um brunch Camélia em plena Cantareira

Lanches gulosos, almoços saudáveis e pequenos-almoços reforçados. Camélia é uma homenagem à flor do Porto — e um café com o coração na cozinha.

Foto
Nelson Garrido

O Camélia Brunch Garden está na Foz, com os olhos no Douro, o coração na cozinha e a alma no jardim. Vamos destrinçando a mensagem à medida que nos aproximamos do novo espaço do Porto, em plena Cantareira, com vista para o Estaleiro do Ouro e com o eléctrico a passar a alguns passos da porta.

“Idealizámos um jardim repleto de flores com vista para o rio”, lê-se na carta do Camélia, o mais recente vizinho do antigo estaleiro, que funcionou até 2005, e onde se construíam e reparavam embarcações em madeira. Por aqui, ainda há dezenas de barquinhos atracados e redes desenredadas. O romântico Jardim do Passeio Alegre fica a escassos metros e esse também foi o ambiente transportado para dentro deste café que tem uma cameleira (artificial) plantada em plena sala e muitas plantas e flores (verdadeiras) espalhadas pelos recantos do espaço e pela carta, preparada para pequenos-almoços reforçados, almoços saudáveis e lanches gulosos.

“A camélia é a flor do Porto e, como portuenses, não quisemos deixar de homenagear uma das raras flores dos jardins da cidade que aparecem entre Novembro e Abril, precisamente o mês em que abrimos o Camélia Brunch Garden”, explicou à Fugas Pedro Vieira, um dos sócios do Camélia, também proprietários de outros espaços no Porto — como a padaria Paparoca da Foz, há 14 anos na Cantareira. “Nessa altura, esta zona, em constante revitalização, não era nada como hoje”, lembra Pedro, apontando a drogaria e a Adega da Cantareira como resistentes vizinhos do recém-nascido Camélia, colado à Rua dos Olivais. “Esta zona de passagem, com uma envolvência tradicionalista e cada vez mais solicitada por turistas e atletas urbanos, tem vindo a desenvolver-se muito, muito”, refere Pedro, que em breve inaugurará uma esplanada no Camélia com 34 lugares a ver o eléctrico passar.

Foto
Nelson Garrido

O Camélia quis levar um jardim para dentro de um espaço “onde se pode desfrutar de boa comida, de cocktails de autor e de café de especialidade”. O néon “Let a hundred flowers bloom” dá o mote para a ampla sala, chão de microcimento, madeiras “em estado puro” — conceito criativo do espaço a cargo da WOW Agency —, sumo e sopa do dia, compotas e sobremesas ("todas") caseiras, gelados artesanais com nomes de flores (rosa, violeta...) e vários sinais de opções veganas espalhados pela carta (por exemplo: guacamole com nachos; chips de batata-doce com molho de tâmaras e caril; tapioca de coco, manga, toranja e sementes de chia; gnocchi de raízes e pesto de manjericão; tapioca de palmito, puré de batata-doce, alcachofras, gengibre e coentros).

Tendo em conta que “a primeira coisa a comer são os olhos”, a equipa de Pedro Vieira — composta por 12 pessoas — tem cuidados redobrados na apresentação e no contraste de cores de tudo o que vai para a mesa. Sempre com o conceito brunch em mente. “Quisemos fugir aos clássicos ovos mexidos com bacon. Temos uma cozinha evoluída, uma carta idealizada e criada ao pormenor”, sublinha Pedro, que, para além do café de especialidade (blend da 7G Roaster) e do protocolo com os Chás Camélia, projecto artesanal também do Porto, destaca o Hash Brown (prato típico dos pequenos-almoços nova-iorquinos) com maionese de alho negro caseira, a panqueca Dutch Baby (cozinhada num tacho de ferro fundido e pela qual terá de esperar cerca de 20 minutos), a Sandes Deli (com carne laminada e inspirada na famosa sande do Kat’z Delicatessen) e a Tapioca do Mar, para além do cheesecake de manteiga de amendoim.

O novo café da Cantareira dispõe de um brunch Camélia (12,50€) composto pelo sumo do dia, pelos ovos benedict ou tosta de frango, pela panqueca de Nutella ou manteiga de amendoim e ainda café ou chá.

Foto
Nelson Garrido