Reportagem

O que é que a APAV tem a ver com a Avon? As marcas de beleza e as causas sociais

Marcas associam-se a causas e doam verbas de milhares de euros para ajudar mulheres com cancro ou vítimas de violência doméstica.

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miguel manso

O que é que a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) faz numa uma acção de formação de revendedoras da marca de cosmética Avon? “Venho alertar para a questão da violência doméstica e consciencializar para depois saberem o que e como fazer quando estão perante uma vítima”, responde Ana Castro Sousa, gestora do Gabinete de Apoio à Vítima do Porto, alertando que em dez anos, já morreram 400 mulheres vítimas de violência doméstica. E as que vivem em casas de abrigo já foram apoiadas pela marca de cosméticos em mais de 81 mil euros desde 2009.

A Avon não é a única. Há outras marcas de beleza que colaboram com associações ou organizações como é o caso da Jean Louis David que também já colaborou com a APAV e que agora apoia o Fundo iMM-Laço ou a Mary Kay que se solidariza com a Ajuda de Berço.

No Hotel Ipanema Porto, a formação continua: “Se suspeitarem que alguém é vítima, devem conversar com essa pessoa num lugar seguro e nunca julgá-la”. Nem pensar em “confrontar” o agressor, pois pode pôr-se em causa a segurança da mulher, esta pode estar a viver uma situação de violência física, psicológica ou verbal, continua Ana Castro Sousa. “Também pode estar a sofrer violência de forma relacional que consiste no agressor mexer-lhe no telemóvel, proibi-la de conviver com outros, exigir palavra-passe das redes sociais e de e-mails”, adverte, perante uma sala cheia de revendedoras da marca. “Também podem ser vítimas de violência económica que é o controlo das contas bancárias”, acrescenta, sublinhando que este crime é transversal a todas as classes sociais. A APAV presta apoio psicológico, jurídico, social e emocional a estas mulheres.

“Não vos vou contar situações, apenas queria que percebessem que a violência doméstica existe e estamos aqui para ajudar pessoas que foram vítimas deste crime que é público”, continua a responsável da APAV. Já Susana Pereira, da Avon, tinha avisado as revendedoras: “O tema é sério e é daqueles que me fazem sentir orgulho porque conseguimos mais um marco histórico nesta luta contra a violência doméstica ao angariarmos 12 mil euros a nível nacional.”

Entre 2009 e 2019 foram doados 81 mil euros, uma verba que resulta da venda de produtos, como colares, cujas receitas revertem na totalidade para a APAV. E surge no âmbito da campanha global da Avon contra a violência doméstica. A marca também apoia a luta contra o cancro da mama. No caso da APAV, o donativo vai contribuir para a manutenção e obras de melhoria de duas casas de abrigo, onde mulheres e filhos estão protegidas do agressor e começam a delinear o seu futuro projecto de vida. A APAV tem ainda uma terceira casa, mas destina-se a mulheres vítimas de tráfico humano. 

Às formandas, Ana Castro Sousa aconselha que, no caso de estarem diante de uma vítima, é importante ajudá-la, lembrando que “há mulheres que não gostam de si, que têm medo e vergonha, o que podem ser razões para se manterem em relações abusivas”. O que se pode fazer em caso de a mulher ser vítima? Pedir apoio a familiares e amigos, a organizações, às autoridades e aos serviços do Ministério Público. Por fim, a responsável da APAV deixou um pedido em forma de alerta: “Ignorar faz a violência aumentar.”

Champôs, batons e protectores

Desde 2015 que a cadeia de cabeleireiros Jean Louis David já doou mais de 86 mil euros ao Fundo iMM-Laço. Recentemente, angariou mais de 13 mil euros no âmbito da campanha Hair Fashion Weeks, que decorreu durante o mês de Março. Na prática, por cada pack vouchers promocionais de cor e de corte, a marca doa dois euros ao Fundo iMM-Laço  para apoiar projectos de investigação.

Pelo nono ano consecutivo que a Mary Kay Portugal vai doar um euro por cada batom em gel Semi Mate Midnight Red vendido à Ajuda de Berço – uma instituição particular de solidariedade social que, desde 1998, existe para apoiar bebés e crianças desprotegidas. A campanha solidária Pink Changing Lives decorre até 31 de Dezembro.

A L'Oréal, por exemplo, realiza esta quinta-feira, em Miraflores, o primeiro workshop de maquilhagem e cabelos para pessoas cegas. A iniciativa decorre no âmbito do movimento Beleza para Todos que começou, em Março passado, em parceria com o Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P., a Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), a Federação Portuguesa das Associações de Surdos (FPAS) e a Associação Portuguesa de Deficientes (APD). Pretende-se, então, que as pessoas com deficiência visual e auditiva beneficiem do mesmo acesso à informação sobre beleza que a população em geral. Os conteúdos do site da marca passam a estar adaptados a pessoas com deficiência visual e auditiva. Há etiquetas em braille para identificação de produtos de higiene e beleza, que serão distribuídas através do INR e da ACAPO. Este projecto, 100% português é pioneiro dentro da L’Oréal, divulga a marca em comunicado.

Também a Garnier Ambre Solaire juntamente com a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) e com o apoio da Direcção-Geral da Educação lançou a 6.ª edição do projecto Heróis do Sol Saudável, um projecto a pensar nos alunos do 1.º ciclo, com o objectivo de os alertar para os perigos da exposição solar. Só no ano passado, estima-se que terão sido diagnosticados 12 mil novos casos em Portugal, dos quais mil são melanomas, adianta em comunicado a marca. A iniciativa já envolveu mais de 70 mil alunos de escolas públicas e privadas desde que arrancou em 2014.