Hans Reniers/Unsplash
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Os melhores jovens cientistas regressam à Alfândega do Porto

Os melhores projectos podem receber prémios monetários no valor de 50 mil euros e representar Portugal em eventos internacionais. A Mostra Nacional de Ciência acontece na Alfândega do Porto, de 30 de Maio a 1 de Junho.

Duzentos e cinquenta jovens cientistas e investigadores vão invadir a Alfândega do Porto entre os dias 30 e 31 de Maio e 1 de Junho. A invasão, que se antevê pacífica mas com tubos de ensaio e explosões controladas à mistura, decorre no âmbito da 13.ª edição da Mostra Nacional de Ciência. O objectivo do evento é dar a conhecer os projectos de investigação não profissional desenvolvidos em grupos de até três estudantes e sob orientação de professores — maioritariamente no ensino secundário e nos primeiros anos do ensino superior.

Na edição deste ano estarão presentes 97 projectos de 11 áreas díspares, entre as quais a Bioeconomia, as Ciências Sociais e a Computação. Estes trabalhos foram apresentados e submetidos, numa fase prévia, durante o 27.º Concurso para Jovens Cientistas, no qual a Fundação da Juventude, entidade organizadora, recebeu 108 propostas que foram avaliadas e seleccionados por um júri.

Na mostra, uma tarefa semelhança estará, igualmente, a cargo de um painel de jurados, coordenado pela Ciência Viva e composto por 36 professores, investigadores e outras personalidades reconhecidas na área. Os participantes que os consigam convencer de que o seu projecto é merecedor de distinção podem ganhar até 50 mil euros em prémios.

Esta quantia divide-se em dois grupos. No primeiro, há dez mil euros para distribuir por dois primeiros, segundos, terceiros, quartos e quintos prémios (entre 1250 e 400 euros, respectivamente). Serão ainda atribuídos prémios pela Lipor e pela Porto Editora no valor de 500 e 300 euros, respectivamente, com o prémio da editora a ser entregue em edições e publicações. 

Já o segundo grupo contempla 40 mil euros que não serão entregues directamente aos vencedores, mas servirão para financiar a sua participação em eventos internacionais e com as quais a Fundação da Juventude estabeleceu parcerias. Os vencedores podem vir a participar no European Union Contest for Young Scientists (EUCYS), que se realiza em Setembro em Sofia, na Bulgária, ou no International Science and Engineering Fair (ISEF), que terá lugar na Califórnia em Maio de 2020. Além destas iniciativas, estão previstas participações em eventos que se vão realizar no Luxemburgo, na Suíça, em Macau, em Abu Dhabi e em Novo Hamburgo, no Brasil.

Aí, os participantes terão a oportunidade de contactar com jovens investigadores e cientistas de contextos culturais e projectos totalmente diferentes dos seus. Estas experiências são, para a fundação, uma “mais-valia” que poderá ser muito mais proveitosa e douradora do que contrapartidas monetárias.

A vertente internacional da Mostra Nacional de Ciência está ainda mais reforçada com a participação de jovens cientistas provenientes de Moçambique e Espanha. No caso do país africano, a colaboração acontece com a inclusão da Escola Portuguesa de Moçambique, onde professores que participaram anteriormente na mostra se encontram actualmente a dar aulas. Relativamente a Espanha, um protocolo com a Mostra de Ciência de Bilbau prevê, igualmente, a integração de um projecto português na iniciativa espanhola.

A prova de que a participação de estudantes em projectos desta natureza pode ser proveitosa para o seu futuro será dada na primeira pessoa. Um dos pontos do programa é, precisamente, a intervenção de antigos jovens cientistas que, através de testemunhos, vão tentar influenciar e explicar aos actuais participantes como a sua vida evoluiu depois de participarem na iniciativa. Mariana Farraia, participante do Concurso de Jovens Cientistas em 2011, 2012 e 2013, em entrevista ao P3, não escondeu a importância que o envolvimento neste tipo de iniciativas teve para o percurso profissional e na hora de optar por uma área de estudo: “É importante para incentivar a realização de trabalhos, para que os jovens se concentrem e se sentem à mesa para delinear um projecto, criar rotina da investigação.”