Moedas quase estragava o último dia de pré-campanha de Rangel

Candidato do PSD às europeias contou com a presença do ex-ministro Aguiar-Branco. Luís Montenegro fará campanha esta segunda-feira ao lado de Paulo Rangel, em Espinho.

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Paulo Rangel acompanhado por José Pedro Aguiar-Branco e Lídia Pereira durante o passeio pela marginal de Matosinhos LUSA/TIAGO PETINGA

Paulo Rangel escolheu a Póvoa de Varzim - um concelho da sua cor política - antes de mergulhar a fundo na campanha das eleições europeias que arranca oficialmente esta segunda-feira. O social-democrata, que pela terceira vez lidera a lista do PSD às europeias tem o partido unido à sua candidatura, mas este domingo foi surpreendido pelos elogios do comissário europeu, Carlos Moedas ao Governo do PS em entrevista ao DN e à TSF.

Por momentos, Paulo Rangel ficou numa situação um pouco delicada, mas rapidamente contornou o embaraço, lançando um desafio ao primeiro-ministro: “Já agora lanço daqui [Vila do Conde onde esteve em campanha] esse repto – é o meu grande comentário a isso. Em vez de António Costa estar a fazer projecções várias sobre comissários, nas eleições europeias que são para o Parlamento Europeu, podia pensar seriamente numa pessoa como Carlos Moedas para continuar a obra magnífica na Comissão Europeia”.

Na entrevista, Carlos Moedas, que é o mandatário nacional do PSD para as europeias, afirmou que o executivo do PS teve o mérito de “continuar um rumo de credibilidade em relação às contas públicas”. Sem nunca mostrar um ponto de incomodidade, Rangel acrescentou que as palavras do comissário europeu devem ser lidas no plano da “retribuição de cortesia”, uma vez que Carlos Moedas “tem sido elogiado por todos os partidos”. De resto, considerou que aquilo que o seu mandatário disse “em rigor não colide” com o que o PSD tem dito sobre a actuação do Governo.

Antes deste episódio, o cabeça de lista do PSD mergulhou na feira de Estela, no concelho da Póvoa de Varzim, que decorre aos domingos, pedindo o voto no seu partido nas eleições do dia 26 de Maio. De tarde, com os termómetros a marcarem 31º graus, lançou-se numa nova caça ao voto no PSD, em Matosinhos, um concelho sociologicamente socialista.

Esta segunda-feira, Rangel vai contar com a presença do ex-líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, que desafiou Rui Rio a convocar eleições para disputar a presidência do partido. Montenegro estará logo pela manhã, em Espinho, numa acção de campanha que vai decorrer na conhecida feira semanal.

Consciente de que o combate das europeias é difícil, Paulo Rangel aproveitou a sua passagem pela feira de Estela, na Póvoa de Varzim, para cativar os eleitores. Era sempre com um sorriso que abordava as pessoas com quem se cruzava, entregando-lhes canetas com o símbolo do partido e panfletos. Uns agradeciam, outros… desviam-se numa clara reprovação pelo candidato estar em campanha em dia de feira muito concorrida.

O momento que ficou para a imagem de todos aconteceu quando o candidato tentou abordar um homem que caminhava em direcção oposta à sua. “Eu sou professor, não quero nada com vocês”. Rangel não comentou, prosseguindo a caminhada, tentando cativar o apoio de outras pessoas. A recente crise política que se abriu no país por causa da contagem integral do tempo de serviço dos professores está ainda muito fresca e o PSD teme que haja algum tipo de penalização no dia 26 de Maio pelo facto de os professores verem reprovado pelo Parlamento o descongelamento do tempo de serviço.

À tarde, a campanha fez-se à beira-mar, em Matosinhos. O ex-ministro da Justiça, José Pedro Aguiar-Branco, juntou-se à comitiva e pediu o voto no seu correligionário de partido, mas também na “candidata mais nova”, Lídia Pereira, que foi confundida ao longo do dia com a líder do CDS, Assunção Cristas - uma comparação de que não gostou. Por várias vezes, o ex-ministro, Aguiar-Branco, tomou a dianteira da comitiva, fazendo as honras da campanha, apresentando Paulo Rangel como “o nosso candidato”, mas a receptividade das pessoas nem sempre foi a melhor.

Mas Rangel pode ter garantido o voto de um casal que abordou durante o passeio no calçadão, em Matosinhos, “guardado” por dois labradores castanhos, curiosamente iguais ao cão do candidato. Rangel inspirou-se no pensador político Alexis de Tocqueville para dar o nome ao seu cão de seis anos e meio. Não, não se chama Tocqueville, apenas Toki.