Chelsea Manning sai da prisão, mas terá de comparecer a novo grande júri

A ex-militar, que passou sete anos detida por remeter mais de 700 mil documentos sobre as guerra do Iraque e do Afeganistão para a Wikileaks, recusa-se a testemunhar num caso contra a organização de Julian Assange.

A antiga militar Chelsea Manning
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A antiga militar Chelsea Manning FACUNDO ARRIZABALAGA/LUSA

A antiga militar norte-americana Chelsea Manning foi libertada esta quinta-feira, dois meses depois de ter sido detida por recusar testemunhar num caso contra a WikiLeaks, e imediatamente convocada para prestar testemunho num outro grande júri, a 16 de Maio - se recusar, pode vir a ser detida de novo.

Manning passou 62 dias num centro de detenção na cidade de Alexandria, no estado norte-americano da Virgínia, sob a acusação de desobediência, depois de ter recusado testemunhar perante um grande júri que investiga a WikiLeaks. Não se sabe sobre que temas a justiça norte-americana quer ouvir Chelsea Manning, mas é legítimo pensar que terá a ver com a investigação de longa duração sobre a actividade da Wikileaks,de Julian Assange.

A defesa teme, no entanto, que a liberdade seja de curta duração. Manning já recebeu nova intimação judicial para testemunhar daqui a uma semana, no próximo dia 16, mas os advogados garantem que a posição da antiga militar não irá mudar. “Chelsea vai continuar a recusar testemunhar e usará toda a defesa legal disponível para provar (...) que a sua recusa tem justa causa”, lê-se na mesma nota.

Condenada em 2013 a 35 anos de prisão por remeter mais de 700 mil documentos confidenciais para a Wikileaks sobre as guerras no Iraque e Afeganistão, a mulher trans, que antes se chamava Bradley Manning, passou sete anos encarcerada, antes de a pena ter sido comutada pelo então Presidente Barack Obama.