Nuno Ferreira Santos
Entrevista

“Em nenhum caso o movimento fascista toma o poder sozinho”

Em Salazar e os Fascismos, o seu último livro, Fernando Rosas desfaz a ideia de que Portugal foi abençoado com um “ditador catedrático”. O facismo à portuguesa era o que era, mas era fascismo, defende o historiador

Extraordinariamente, está optimista com os tempos que correm. Porque é por natureza optimista, justifica. A ascensão dos extremismos na Europa tem demasiados paralelos com os anos 30, mas, diz Fernando Rosas, não será fascismo. Será outra coisa, mas não fascismo.
Para si, o regime de Salazar foi um fascismo, mas há divergências entre os historiadores sobre o uso do termo “fascismo”, utiliza-se mais “ditadura”. Por que é que existe esta divergência? 
A classificação de natureza política do regime é controversa desde a Guerra Fria, porque então havia uma manipulação ideológica do objecto histórico, com vista a obter resultados na grande divisão do mundo em dois pólos. Há uma certa sociologia norte-americana, que depois passa um pouco para a história, que para alargar o campo do Ocidente, mete nesse saco todos os regimes anticomunistas, mesmo os que tinham uns problemazitos de liberdade, democracia... Mas prevaleceu o critério do anticomunismo e isso permitiu, dividindo o mundo em regimes totalitários que metiam o nazismo e o estalinismo, e o resto, permitiu meter no campo do Ocidente anticomunista algumas ditaduras que tinham de tudo menos de democráticas. E regimes tipo fascista como o Salazarismo e o Franquismo que, sobreviventes à Guerra, foram metidos no campo do Ocidente.