Apple lança serviço de assinatura de jornais e revistas

Subscrição está limitada aos EUA e Canadá, e os dois maiores jornais americanos optaram por ficar de fora.

Roger Rosner, vic-presidente da Apple com o pelouro das aplicações
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Roger Rosner, vice-presidente da Apple com o pelouro das aplicações Reuters/STEPHEN LAM

A Apple apresentou um serviço que permite aos utilizadores pagarem uma única assinatura para lerem centenas de jornais, sites e revistas, num modelo de Netflix para o jornalismo. No novo serviço, os anunciantes não poderão seguir a actividade dos leitores para mostrar publicidade direccionada, como acontece na generalidade sites, numa medida que vai ao encontro das preocupações crescentes de privacidade.

O serviço, que já era antecipado há muito, chama-se Apple News+. Vai custar 9,99 dólares e estará apenas disponível nos EUA e no Canadá, sendo automaticamente incluído numa actualização do sistema operativo iOS. A aplicação Apple News, onde o novo serviço estará integrado, continuará a ter conteúdos jornalísticos gratuitos para não assinantes.

O News+ foi revelado numa apresentação nesta segunda-feira, em que a empresa desvendou também um cartão de crédito, apenas para o mercado americano, e serviços de streaming de vídeo e de jogos. As novidades surgem numa altura em que as vendas de aparelhos da marca estão a abrandar e a empresa tenta novas formas para rentabilizar os milhões de utilizadores de iPhones, iPads e computadores Mac que estão mais relutantes em comprar um equipamento novo.

No Apple News+ estão cerca de 300 revistas, entre as quais títulos como a Variety, a New Yorker, a National Geographic, a Wired e a Sports Illustrated, que cobrem temas que vão da moda ao desporto. O serviço também inclui acesso a sites como o site de tecnologia TechCrunch, e a jornais como The Wall Street Journal e o Los Angeles Times.

Porém, há ausências de peso, como o jornal The New York Times e o concorrente The Washington Post, os dois maiores jornais americanos. De acordo com um artigo publicado pelo New York Times na semana passada, estes dois jornais não aceitaram as condições que a Apple impôs às empresas de media, e que passam pela partilha de receitas das assinaturas.

“Acreditamos no poder do jornalismo e no impacto que pode ter nas nossas vidas”, afirmou o presidente da Apple, Tim Cook, durante a apresentação.

O sector do jornalismo tem atravessado uma crise de modelo de negócio desde que a massificação da Internet fez com que jornais e revistas tivessem de competir com uma miríade de outros sites pelo tempo de atenção dos utilizadores e serviços. Também passaram a disputar o dinheiro dos anunciantes com plataformas como o Google e o Facebook, que disponibilizam a possibilidade de anúncios direccionados assentes em sofisticadas análises de dados.

A Apple não é a primeira grande empresa de tecnologia a tentar fazer uma incursão no negócio do jornalismo.

O Facebook, por exemplo, lançou em 2015 uma funcionalidade que permitia às redacções criarem artigos formatados especificamente para a rede social. Também introduziu a possibilidade de os sites de media angariarem assinantes directamente através da plataforma. Na mesma linha, o Google já disponibilizou sistemas de assinatura de jornais e revistas.

Contudo, após experiências iniciais, a adesão da imprensa foi reduzida, resultado da desconfiança do sector dos media face empresas de tecnologia que agregam conteúdos, bem como a relutância em depositarem a relação com os clientes nas mãos de outras empresas.