Google cria sistema de assinaturas para jornais e quer parte das receitas

Empresa quer estreitar o negócio com um sector que frequentemente a encara com desconfiança.

A multinacional tem uma relação conturbada com os media
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A multinacional tem uma relação conturbada com os media Reuters/Mike Blake

O Google já tinha dito que ia usar os seus vastos conhecimentos sobre os utilizadores para tentar encontrar assinantes para os sites de notícias. O sistema não está finalizado, mas a empresa avançou que ficará com uma parte das receitas, abrindo assim as portas para estreitar os laços de negócio com um sector em dificuldades e que frequentemente olha para a multinacional como um concorrente.

O plano passa por disponibilizar ferramentas que ajudem os editores de media a fazer campanhas para utilizadores específicos e a encontrar o preço que as pessoas estão disponíveis para pagar por uma assinatura. Também deverá ser disponibilizada tecnologia para tornar o processo mais fácil e com menos passos.

O Google ficará com uma percentagem das vendas, de forma semelhante ao que já acontece com a plataforma de anúncios publicitários. Os sites onde a publicidade aparece – entre os quais estão muitos sites de notícias – ficam com cerca de 70% das receitas. No caso das assinaturas, a fatia do Google deverá ser substancialmente mais pequena, embora o valor ainda esteja por definir.

“Vai obviamente acabar por ser determinado pelo que achamos que a relação de negócio deve ser, mas, no final, creio que [as receitas para os media] vão ser muito mais generosas”, desvendou o responsável do Google para a área de notícias, Richard Gingras, ao Financial Times, que avançou a notícia, entretanto confirmada por declarações oficiais da multinacional. “Queremos ter aqui um ecossistema saudável, onde vamos beneficiar tanto como sociedade, como no nosso negócio. Ainda estamos a trabalhar nisto, não somos peritos no negócio das assinaturas, mas a partilha de receitas será muito, muito generosa”, assegurou Gingras.

O Google tem tentado trabalhar com a indústria dos media, que (em especial na Europa) olha para as grandes empresas de tecnologia como concorrentes pelo dinheiro dos anunciantes. O Google e o Facebook, cuja tecnologia permite a criação de campanhas publicitárias altamente direccionadas, têm atraído a grande maioria do novo investimento publicitário online. Recentemente, o motor de busca deixou cair uma regra que obrigava os sites que quisessem ser indexados a disponibilizar gratuitamente o acesso à notícia mostrada, mesmo que o acesso aos conteúdos fosse normalmente reservado a utilizadores pagantes.

Este mês, num evento em Lisboa, a empresa já tinha adiantado que estava a trabalhar num sistema de assinaturas, ao mesmo tempo que prepara o filtro de publicidade que será incorporado no browser Chrome no início do próximo ano, e que bloqueará anúncios que não respeitem um conjunto de regras.

Ao PÚBLICO, o responsável pelas relações com os media na Europa, Madhav Chinnappa, afirmou que ainda há um caminho a percorrer: “Precisamos de fazer mais, mas temos de o fazer em colaboração em vez de à maneira antiga em que os engenheiros do Google decidiam sozinhos".