Ministro “não conseguiu sustentar afirmações” sobre emprego científico

Manuel Heitor considera que o programa de estímulo ao emprego científico é um “grande sucesso”. Chamado ao Parlamento pelo PCP, não repetiu a ideia de que há “pleno emprego” entre os doutorados.

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O ministro Manuel Heitor Rui Gaudêncio

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, “não conseguiu sustentar as afirmações” que fez sobre o “pleno emprego” entre os doutorados, feitas ao PÚBLICO no início do mês, acusou a deputada do PCP Ana Mesquita, no encerramento de uma audição parlamentar, nesta quarta-feira, convocada a propósito dessa entrevista.

Ana Mesquita questionou o ministro sobre essas declarações e pediu-lhe que as sustentasse, pondo em causa a forma como o Governo desenhou o programa de estímulo ao emprego científico. "Quantos destes investigadores vão efectivamente entrar nas carreiras?", perguntou.

Ao longo de uma hora de debate, Manuel Heitor não respondeu directamente a esta nem às outras questões colocadas sobre a sua garantia de que há “pleno emprego” entre os doutorados, o que motivou protestos de alguns deputados.

Duarte Marques, do PSD, afirmou que o ministro tem, em várias audições parlamentares, “ignorado aquilo que lhe perguntamos” e Luís Monteiro, do Bloco de Esquerda, acusou o governante de viver em “terra de ninguém”. As declarações do ministro sobre o emprego científico “já vão para além do que é insultuoso”, acusa o bloquista: “Tornaram-se uma paródia.”

Na audição parlamentar, Manuel Heitor afirmou que, na sequência da entrevista ao PÚBLICO, recebeu vários doutorados, que lhe escreveram como forma de protesto. Os casos que conheceu correspondem “a situações específicas”, diz. No tecido científico português “há um pouco de tudo, como sempre houve e sempre vai haver”.

De resto, Manuel Heitor repetiu as ideias que já tinha apresentado na entrevista ao PÚBLICO no início do mês. O programa de estímulo ao emprego científico lançado pelo Governo é um “grande sucesso” e a estratégia tem passado pela “diversificação dos mecanismos de contratação” – uma ideia que repetiu por diversas vezes ao longo da audição pedida pelo PCP.

Os dados mais recentes do Observatório do Emprego Científico, publicados na véspera desta sessão parlamentar, mostram que já foram contratados, desde 2017, 3906 doutorados, o dobro do que se verificava há um mês. Destes, 1953 contratos foram feitos ao abrigo da norma transitória da Lei do emprego cientifico. Este número também cresceu para mais do dobro ao longo do último mês. Ao todo, já foram abertos 6310 concursos para a contratação de doutorados.