Aviões dos EUA enviam mais ajuda para a Venezuela. Mas fica na fronteira

Juan Guaidó recruta voluntários para distribuir alimentos, produtos de higiene e medicamentos a partir de dia 23, como prometeu. E tenta convencer os militares a deixar passar esta ajuda.

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A ajuda humanitária dos EUA a ser descarregada do avião da Força Aérea Edgard Garrido&REUTERS
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Guaidó, num comício em Caracas, para recurtar voluntários para distribuir a ajuda humanitária MIGUEL GUTIERREZ/EPA

Três aviões de carga C-17 da Força Aérea dos Estados Unidos com ajuda humanitária para a população venezuelana chegaram este sábado a Cúcutá, uma cidade colombiana na fronteira com a Venezuela, anunciaram as autoridades norte-americanas.

O primeiro avião, que partiu da base aérea de Homestead, no sul de Miami, aterrou no aeroporto Camilo Daza às 12h20, hora local (mais quatro em Lisboa) com suplementos nutricionais para cerca de 3500 crianças que sofrem de má nutrição e estojos de higiene para pelo menos mais 25 mil pessoas. O primeiro transporte de ajuda humanitária norte-americana, com alimentos, chegou a 8 de Fevereiro, e continua nos armazéns de Cúcuta.

De acordo com fontes diplomáticas dos EUA, as aeronaves chegam ao território venezuelano numa altura em que se acumulam toneladas de ajuda humanitária que Juan Guaidó, nomeado Presidente interino pela Assembleia Nacional, à qual presidente, diz que fará "o que for necessário" para fazer sair do aeroporto e distribuir à população.

"Estamos dispostos a fazer o necessário para que a ajude chegue", disse Juan Guaidó perante milhares de simpatizantes, num evento em Caracas em que milhares de pessoas prestaram juramento para integrar uma rede de voluntários que trabalhará para distribuir os donativos a partir de 23 de Fevereiro - foi essa a promessa que ele fez. Guaidó garantiu que na segunda-feira iria anunciar como será feita essa distribuição.

"Vamos organizar-nos em brigadas", disse Guaidó, que continua a apelar aos militares para que permitam a entrada de ajuda. "A mensagem que temos de fazer passar às Forças Armadas é que têm uma semana para fazer o que é correcto. Vão estar do lado da vossa família e do povo ou do usurpador que continua a mentir", afirmou, num apelo directo aos militares.

Espera-se que milhares de venezuelanos viagem até à fronteira nestes dias para garantir a segurança da ajuda humanitária e depois distribuí-la, disse Lester Toledo, um representante de Guaidó, numa conferência de imprensa em Cúcuta, citado pela Reuters.  

A maioria dos países da UE, entre os quais Portugal, reconheceu Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes. O Presidente Nicolás Maduro continua a ser apoiado pela Rússia e pela China, e também por Cuba e pela Turquia.

Na Venezuela residem cerca de 300 mil portugueses ou luso-descendentes.