"Mandem a ajuda humanitaria para os colombianos", diz Maduro

Medicamentos e alimentos continuam parados na fronteira, enquanto Juan Guaidó e EUA tentam que os militares os deixem passar, minando a autoridade do Presidente.

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Maduro: "Não permitiremos o show da ajuda humanitária" Andres Martinez Casares/REUTERS
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A ajuda norte-americana, parada na fronteira,A ajuda norte-americana, parada na fronteira MAURICIO DUENAS CASTANEDA/EPA,MAURICIO DUENAS CASTANEDA/EPA
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Perto da fronteira com a Colômbia, onde está a ajuda humanitária Marco Bello/REUTERS
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Juan Guaidó esteve a falar na universidade em Caracas Manaure Quintero/REUTERS

Com os contentores de comida e medicamentos enviados pelos Estados Unidos a acumularem-se junto à fronteira com a Venezuela, na cidade colombiana de Cúcuta, o Presidente Nicolás Maduro convocou uma conferência de imprensa em Caracas para afirmar que não permitirá “o show da ajuda humanitária” montado pelos norte-americanos. “Não somos mendigos. A Venezuela não está a viver nenhuma crise humanitária, dêem-na aos colombianos. Isto está a ser fabricado a partir de Washington, para poder intervir no nosso país”, acusou.

É um jogo de nervos, que tem os militares venezuelanos como alvo. Maduro ridicularizou os EUA por estarem a oferecer esta pequena assistência, ao mesmo tempo que impõem sanções ao petróleo venezuelano – e falam em criar mais – e bloqueiam cerca de dez mil milhões de dólares de bens e depósitos venezuelanos no estrangeiro. “É um jogo macabro, não vêem? Apertam-nos pelo pescoço e fazem-nos mendigar por migalhas”, disse o Presidente venezuelano.

Já Juan Guaidó, o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, continua a apelar aos militares para que deixem entrar a ajuda. “Quero ver quantos oficiais estão dispostos a cometer crimes contra a humanidade ao não permitirem que se salvem as vidas dos mais vulneráveis, 250 mil a 300 mil estão em risco de morrer se não tiverem cuidados imediatos”, afirmou o político que se declarou presidente interino e cuja legitimidade foi reconhecida por cerca de 40 países, incluindo 19 Estados-membros da UE.

Na quinta-feira, o Grupo de Contacto Internacional criado pela UE e vários países latino-americanos reuniu-se pela primeira vez no Uruguai, e anunciou a intenção de enviar uma missão técnica à Venezuela. Maduro, segundo o El País, disse não estar de acordo com o documento final produzido pela reunião, “com a parcialidade e a ideologização do grupo”. Mas está pronto a “receber e estabelecer contacto com qualquer membro do grupo”. Embora tenha dito que a UE “não ouve a Venezuela de verdade, está surda face a uma revolução com 20 anos.”

Mas os EUA também se mostraram críticos com o Grupo de Contacto, pelo que se depreende das palavras do recém-nomeado enviado especial dos EUA para a Venezuela, Elliott Abrams – um veterano da diplomacia norte-americana, que ganhou notoriedade pelo seu envolvimento em decisões polémicas na Administração Reagan sobre a Nicarágua e El Salvador. “Em vez de tentarem acomodar Maduro através de diálogo ou grupos de contacto, apelamos a que se juntem a nós para enviar ajuda humanitária internacional imediatamente”, afirmou.

“Maduro já demonstrou que manipulará de forma vantajosa qualquer apelo a negociações e muitas vezes usou o que apenas no papel eram diálogos como uma forma de ganhar tempo”, concluiu o diplomata norte-americano, citado pela agência AFP. “O tempo para dialogar com Maduro já se acabou há muito”.