Défice comercial de bens subiu 2,7 mil milhões em 2018

Importações subiram mais do que as exportações, o que provocou um aumento de dois pontos percentuais na diferença entre vendas e compras de produtos. Falta conhecer números finais das exportações de serviços.

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Paulo Pimenta

O défice da balança comercial de bens de Portugal com o exterior agravou-se no ano passado em 2670 milhões de euros devido ao um aumento mais acentuado das importações face às exportações.

O saldo negativo chega aos 17.130 milhões de euros, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Falta conhecer os números finais das exportações e importações de serviços, que garantem que a balança é positiva, graças ao impulso do turismo.

No que toca à venda de produtos, o INE contabiliza as exportações de 2018 nos 57.925 milhões de euros. Isso representa uma subida de 5,3% face a 2017, ano em que o crescimento tinha sido de 10%. No caso das importações, chegaram aos 75.054 milhões de euros, uma subida de 8%. Também aqui houve um abrandamento face aos 13,1% registados em 2017.

A taxa de cobertura desce dois pontos percentuais, para 77,2%, o valor mais baixo desde 2011 (ano em que se situou nos 71,9%), o que significa uma diferença maior entre as importações e as exportações.

Se se excluir da equação os combustíveis e lubrificantes, “as exportações e as importações cresceram respectivamente 5,5% e 7,6% em 2018 (+8,9% e +11,4% em 2017)”. Neste caso, o défice da balança comercial fica em 12.152 milhões de euros, o que significa uma subida de 1854 milhões quando comparado com 2017.

Depois de uma queda das exportações em Novembro, as vendas voltaram a crescer no último mês do ano (7% em termos homólogos), dissipando os impactos da paralisação dos estivadores no Porto de Setúbal, a plataforma de exportação dos carros produzidos pela Volkswagen na fábrica da Autoeuropa, em Palmela.

As exportações de automóveis para transporte de passageiros acabaram por disparar 59% no total dos 12 meses, com as vendas a passarem de 2160 milhões de euros para 3445 milhões. Só as vendas de produtos primários tiveram um ritmo de crescimento mais acelerado, mas o peso nas exportações está longe de comparar com os veículos ou outras categorias mais comercializadas. Os produtos transformados, o segmento com mais peso, representaram 16.883 milhões de euros, subindo 3,1% em termos homólogos face a 2017.