Google oferece ferramentas contra ciberataques a políticos europeus

Empresas tecnológicas têm apresentado várias medidas para tentar combater a desinformação.

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As eleições para o Parlamento Europeu são o foco da equipa europeia do Google Reuters/Dado Ruvic

O Google vai oferecer tecnologia contra alguns ciberataques a organizações políticas na União Europeia. A novidade faz parte do compromisso da empresa para combater a desinformação a tempo das eleições europeias, em Maio.

Os políticos interessados poderão utilizar gratuitamente a ferramenta Project Shield para proteger as suas campanhas online dos chamados “ataques de negação de serviço” (mais conhecidos pela sigla inglesa DDoS). Neste tipo de ataques, o objectivo é sobrecarregar uma rede de computadores com muita informação de forma a paralisá-la (por exemplo, pode-se deixar de conseguir aceder a um site de um determinado partido político).

A tecnologia foi criada para proteger sites de notícias e de organizações de direitos humanos, mas no passado também já foi oferecida a campanhas políticas nos Estados Unidos. É desenvolvida pela incubadora de cibersegurança do Google, a Jigsaw, que foi criada em 2010 para “enfrentar os mais complexos problemas geopolíticos”.

“Relatórios enviesados podem manipular opiniões. E ataques digitais podem pôr sites importantes offline, silenciado informação quando os eleitores mais precisam”, lê-se na página da Jigsaw.

A empresa está a oferecer formações de segurança para pessoas e organizações envolvidas nas eleições. De acordo com a empresa, já foram formados cerca de mil técnicos, jornalistas, e membros de organizações não-governamentais a trabalhar nas eleições europeias. 

A publicidade para fins políticos também passa a ter mais regras. “Qualquer pessoa que queira publicar anúncios políticos para as Europeias nas plataformas da Google terá de fornecer documentação que ateste que é uma entidade com sede na União Europeia ou um cidadão de um país membro”, explicou Lie Junius, o director de políticas públicas do Google na União Europeia, em comunicado. Além de vir anexada aos anúncios, a informação também ficará disponível numa biblioteca de anúncios pesquisáveis. 

Tal como acontece com o Facebook e o Twitter, o nome do Google é recorrente em controvérsias sobre difusão de informação falsa, enviesada ou de má qualidade. Em 2016, a empresa foi acusada de promover o extremismo, após uma investigação do jornal britânico The Guardian revelar que pesquisar sobre o Holocausto trazia como primeiro resultado um artigo com uma lista de razões falsas para negar o que aconteceu durante o regime nazi. 

Mais tarde, em 2017, informação falsa sobre o responsável de um massacre em Las Vegas esteve durante horas entre as notícias principais do Google. O mesmo aconteceu em 2018: informação falsa e teorias da conspiração sobre sobreviventes do tiroteio de Parkland, nos EUA, estiveram horas no topo da lista de destaques do YouTube, que o Google comprou em 2006.

As eleições para o Parlamento Europeu são agora o foco da equipa europeia do Google. “Nos últimos anos, à medida que se vão conhecendo mais tentativas de disrupção dos processos democráticos, a escala das nossas respostas tem vindo também a crescer”, justificou Lie Junius. “Apoiar as eleições na Europa e em todo o mundo é extremamente importante para nós.”

Em 2019, o Google não é o único a preparar-se para as eleições. A empresa é uma de várias a assinar o Código de Conduta contra a Desinformação, um código de adesão voluntária que foi criado pela Comissão Europeia. Outros signatários incluem o Facebook, Twitter e a Mozilla, a organização responsável pelo navegador Firefox.

O Twitter, por exemplo, está a obrigar novas contas na rede social a confirmarem a sua identidade através de um número de telefone ou email adicional, e criou um “centro de transparência” que mostra quem pagou a publicidade que os utilizadores estão a ver.

Esta semana, o Facebook também anunciou o lançamento de um conjunto de ferramentas para evitar que rede social volte a ser usada para interferências eleitorais. Tal como as estratégias adoptadas pelo Twitter e pelo Google, uma das medidas obriga os anunciantes na rede social a necessitarem de uma autorização antes de comprarem anúncios de propaganda política.