Bloco pede indemnização para comerciantes lesados por obras da estação de Arroios

Obras na estação de metro de Arroios deverão prolongar-se mais do que o previsto porque o Metro de Lisboa rescindiu o contrato com o empreiteiro. Bloco propõe que câmara dialogue com Governo para garantir indemnizações para comerciantes lesados pelos trabalhos.

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Tapumes foram colocados há cerca de ano e meio Nuno Ferreira Santos

Os primeiros tapumes foram colocados há cerca de ano e meio com a promessa de que as obras de alargamento do cais da estação de metro de Arroios estariam prontas no início deste ano. Só que, dizem os comerciantes da zona, a empreitada pouco andou e os tapumes ali colocados começaram a prejudicar-lhes os negócios, levando à perda de clientes e obrigando mesmo algumas lojas a fechar portas. 

É por isso que o Bloco de Esquerda, pelo vereador Manuel Grilo, quer que a câmara de Lisboa inste o Governo a garantir uma indemnização aos comerciantes da zona da Praça do Chile. 

Numa moção que será apresentada na reunião de câmara desta quinta-feira, o vereador bloquista vai propor ainda que se avalie a possibilidade de os comerciantes que tiveram de fechar as suas lojas e os que focaram no desemprego serem acompanhados. 

A intervenção na zona deverá prolongar-se ainda mais do que o previsto, uma vez que o Metro de Lisboa comunicou ao empreiteiro a rescisão do contrato, na semana passada. Será, portanto, necessário encontrar uma nova empresa que tome conta da obra.

O PÚBLICO questionou o Metro de Lisboa sobre os motivos da rescisão do contrato, assim como para quando se prevêem a conclusão das obras, no entanto, aguarda ainda respostas. 

Na semana passada, numa reunião descentralizada da autarquia, e perante alguns dos comerciantes lesados, o vereador das Finanças, João Paulo Saraiva, começou por reconhecer a "incapacidade que a câmara teve até hoje de responder aos comerciantes de forma cabal". E anunciou que vai apresentar uma proposta para alterar o regulamento das taxas municipais para que os comerciantes de Arroios possam ficar isentos do pagamento de taxas de publicidade e ocupação da via pública, o que deverá também acontecer nesta reunião.

Dado prolongamento expectável do tempo de obra, que implica o encerramento da estação, o bloquista sugere ainda que se reforcem carreiras complementares à linha verde, “seja financiando o reforço de carreiras actuais da Carris ou fretando autocarros para o trajecto Areeiro-Martim Moniz e Martim Moniz-Areeiro”.

“Não basta assegurar isenções de taxas municipais, mesmo que retroactivamente, quando mais de 20 lojas já encerraram e, segundo os comerciantes, cerca de 80% da obra está por fazer. A única forma de garantir que não se encerre mais nenhuma loja é que o Metro ou Governo assuma a sua responsabilidade que tem destruído pequenos negócios naquela zona”, nota Manuel Grilo em comunicado. 

O vereador adianta ainda que reunirá com moradores e comerciantes nos próximos dias.