Crescimento do aeroporto do Porto superou o de Lisboa em 2018

Em 2018, os aeroportos portugueses receberam 55,3 milhões passageiros, mais 6,8%. Porto foi o que mais cresceu, com uma subida de 10,7% e acima dos 8,9% de Lisboa. Dados mostram abrandamento face ao ano anterior.

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Ritmo de crescimento baixou face a 2017 Nelson Garrido

Os aeroportos portugueses, geridos pela ANA, receberam 55,3 milhões de passageiros em 2018, o que representa uma subida de 6,8% face ao ano anterior. De acordo com os dados divulgados esta sexta-feira pelo grupo francês Vinci (que detém a ANA), a subida mais expressiva ocorreu no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, que cresceu 10,7% e atingiu os 11,9 milhões de passageiros.

Já o Aeroporto Humberto Delgado subiu 8,9% e chegou aos 29 milhões de passageiros - um novo recorde, diz a empresa, que foi atingido “apesar das limitações de espaço” na Portela. Lisboa detém um peso de 52% do total de passageiros que transitam nos aeroportos nacionais geridos pelo grupo. Nos Açores, a variação foi de 3,2% (com 2,3 milhões de passageiros). Em sentido contrário estiveram Madeira e Faro, que, afectados por uma descida do mercado britânico, recuaram 0,7% (para 3,3 milhões) e 0,5% (8,68 milhões), respectivamente.

E, não obstante a variação positiva de 6,8% em termos globais, o crescimento registado no ano passado pela ANA/Vinci foi inferior ao de 2017. Nesse ano, a subida geral nos dez aeroportos geridos pela empresa tinha sido de 16,5%, com Lisboa a liderar o crescimento (com 18,8%), seguindo-se Açores (18,7%) e Porto (15%).

A Vinci Aeroportos, uma das unidades de negócio do grupo Vinci (pesou 3% do total do grupo em 2017, com receitas de 1,4 mil milhões de euros num bolo de 40,2 mil milhões), está presente em 12 países, como França, EUA, Japão, Brasil, e Chile, com um portfólio de 46 aeroportos. Ao todo, circularam por estas infra-estruturas aeroportuárias 195,2 milhões de passageiros, o que representa uma subida de 6,8% face a 2017.

Portugal é o maior a nível global de passageiros (segue-se o Japão com 48,3 milhões), cabendo o maior crescimento ao Cambodja (20,1%, para 10,5 milhões).

No final de Dezembro, a Vinci deu um salto em frente ao garantir a compra de 50,01% do capital de Gatewick, o segundo maior aeroporto britânico, por 2,9 mil milhões de libras (3,2 mil milhões de euros).

Investimento em Lisboa

O Aeroporto Humberto Delgado (AHD), considerado saturado nos actuais moldes, vai ser alvo de vários investimentos nos próximos anos, ao mesmo tempo que se avança com o aeroporto complementar do Montijo. Na sequência do que ficou acordado entre o Governo e a ANA esta terça-feira, serão aplicados 650 milhões de euros para a extensão do AHD, e outros 520 milhões irão para o Montijo (a que se somam mais cerca de 160 milhões para acessibilidades e para pagar o necessário redimensionamento da Força Aérea). Ao todo, são esperados mais de 50 milhões de passageiros por ano.

No caso do Montijo o aeroporto deverá estar pronto em 2022, mas falta ainda conhecer o novo estudo de impacto ambiental e respectiva avaliação. Já em relação ao AHD, uma das prioridades é o encerramento da pista secundária, a 17/35. A estratégia passa por ter mais saídas rápidas, melhoria dos taxiways (acessos à pista) mais ligações aos aviões por manga, mais estacionamentos, e pela ampliação do terminal 1, entre outros aspectos.

Taxas a subir

Já esta sexta-feira, entram em vigor as novas taxas reguladas de tráfego e assistência em escala para os aeroportos do Porto e de Faro. No caso do Porto, a subida média é de 1,4%, com a receita absoluta por passageiro a subir 11 cêntimos, enquanto em Faro a subida é de 1,49%, mais 12 cêntimos por passageiro.

No caso do aeroporto de Lisboa, a variação média acabou por se situar nos 1,44%, com o aumento da receita regulada por passageiro a subir 16 cêntimos.

Este aumento vai ter efeitos a partir de 5 de Março, após ter sido rejeitada pelo regulador sectorial, a ANAC, uma primeira proposta em que a concessionária avançava com um valor superior.

Também as infra-estruturas aeroportuárias da Madeira e dos Açores, que pertencem ao chamado grupo de Lisboa, vão sofrer aumentos a 5 de Março (Beja também faz parte, mas não irá haver qualquer variação). As subidas serão de 0,01% na Madeira e de 1,38% nos Açores.

Para a ANA, as evoluções absolutas propostas para o grupo de Lisboa “não constituem qualquer variação tarifária excessiva”, situando-se abaixo do cálculo da taxa de inflação aplicada no modelo de regulação (que dá 1,8%), e “não comprometem a actividade” destes aeroportos “nem a respectiva competitividade tarifária”.

A empresa diz ainda que a ANAC já se pronunciou favoravelmente sobre a taxa de serviço cobrada a passageiros de mobilidade reduzida em todos os aeroportos, no valor de 41 cêntimos (e que entra esta sexta-feira em vigor). Já em relação à taxa de segurança, a ANA destaca que a ANAC “mantém o parecer favorável sobre o valor de 1,74 euros por passageiro embarcado taxável proposto”, aguardando a publicação da respectiva portaria.