No primeiro dia do ano vamos viajar até ao asteróide Ultima Thule

Sonda da NASA fará voo de aproximação a um objecto bem longe no nosso sistema solar, na cintura de Kuiper, nunca antes visitado. Espera-se que as primeiras imagens cheguem entre esta terça e quarta-feira.

Ilustração da visita da <i>New Horizons</i> ao Ultima Thule
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Ilustração da visita da New Horizons ao Ultima Thule NASA/JHUAPL/SwRI

O primeiro dia de 2019 será histórico para a humanidade: a sonda New Horizons, da NASA, vai fazer um voo de aproximação ao Ultima Thule, um objecto localizado na cintura de Kuiper, uma zona mais periférica do nosso sistema solar. “Nunca uma sonda tinha explorado um mundo tão distante”, frisa a agência espacial norte-americana em comunicado.

A aproximação da New Horizons ao Ultima Thule começará por volta das 5h33 (hora de Lisboa) a 14 quilómetros por segundo. Depois, teremos de esperar cerca oito horas (ou mais, pois não se sabe qual a localização exacta do objecto) para que os primeiros dados desta visita cheguem à Terra, indicando se tudo correu bem ou não. Espera-se que as primeiras imagens deste objecto cheguem entre o final deste dia e o dia seguinte e que as imagens de alta resolução estejam disponíveis ainda esta semana. Esta visita poderá ser acompanhada no site da NASA.

Lançada em Janeiro de 2006, a New Horizons – a primeira missão da NASA para explorar Plutão e a cintura de Kuiper – apanhou boleia da gravidade de Júpiter em 2007 e fez a sua maior aproximação a Plutão em 2015. Foi aí que ficámos a conhecer melhor este planeta. Afinal, deu-nos um zoom da superfície de Plutão, que está a 4800 milhões de quilómetros de nós. E, por exemplo, permitiu confirmar que tem dunas.

A sonda seguiu viagem e agora – já está a mais de 6000 milhões de quilómetros da Terra – mostrar-nos-á pela primeira vez o Ultima Thule. Descoberto em 2014 pelo telescópio espacial Hubble, este objecto ainda esconde muitos mistérios, como o seu período de rotação ou a posição exacta. Até agora, os cientistas pensam que terá uma cor avermelhada, uma dimensão de cerca de 30 quilómetros de comprimento, uma forma irregular e uma órbita quase circular.

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Primeira detecção do Ultima Thule pela New Horizons NASA/Universidade Johns Hopkins/Instituto de Investigação do Sudoeste

Oficialmente, o seu nome é 2014 MU69 (e é o asteróide número 485968), mas – após um concurso público este ano – foi-lhe dada a alcunha de Ultima Thule, que significa um “lugar além do mundo conhecido”. “O Ultima, como é carinhosamente chamado pela equipa da New Horizons, orbita no coração da cintura de Kuiper do nosso sistema solar, já para lá de Neptuno”, assinala-se no comunicado, acrescentando-se que neste conjunto de corpos gelados, que se acredita serem “blocos de construção dos planetas”, estão corpos do tamanho de Plutão ou mais pequenos como cometas.

A aproximação ao Ultima Thule começou em Agosto quando a sonda tirou a primeira fotografia do seu alvo. No início de Dezembro, a equipa de cientistas da missão realizou uma intensa campanha para recolher e analisar imagens do objecto e tentar perceber haveria algum perigo. Não se encontrou nenhum.

E o que se fará durante o voo de aproximação desta terça-feira? “A New Horizons irá mapear o Ultima, mapear a composição da sua superfície, determinar quantas luas tem e descobrir se tem anéis ou até mesmo atmosfera”, diz Alan Stern, investigador principal da New Horizons. “Isto proporcionará outros estudos como a medição da temperatura do Ultima e talvez até mesmo determinar a sua massa. No período de 72 horas, o Ultima passará de um ténue ponto de luz – um pontinho à distância – para um mundo completamente explorado.”

A sonda aproximar-se-á três vezes mais do Ultima Thule do que fez a Plutão: estará a cerca de 3500 quilómetros, enquanto esteve a 12.500 quilómetros de Plutão. Nesta rápida visita, a sonda usará sete instrumentos científicos para recolher dados da geologia, geofísica, composição ou de partículas energéticas e plasma do objecto.

Hal Weaver, também um cientista da missão, resume assim esta visita: “A New Horizons irá realizar observações na fronteira da ciência planetária e toda a equipa está ansiosa para desvendar o objecto mais distante e pristino jamais explorado durante o voo de aproximação de uma sonda.”