Torne-se perito

Sonda chinesa prepara-se para pousar na face oculta da Lua

Ainda não se sabe o dia exacto, mas espera-se que a alunagem se realize em Janeiro.

Ilustração do robô da <i>Chang’e-4</i>
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Ilustração do robô da Chang’e-4 CNSA/CASC

Nos primeiros dias de 2019, a sonda chinesa Chang’e-4 pousará no lado oculto da Lua. É a primeira vez que uma sonda alunará nesta zona do satélite natural da Terra.

Lançada a 12 de Dezembro, esta sonda da agência espacial chinesa começou a orbitar a Lua a 14 de Dezembro. Prevê-se agora que o seu módulo de aterragem e veículo espacial cheguem ao solo do nosso satélite ainda em Janeiro e que o façam na cratera de Von Kármán. Com 186 quilómetros de diâmetro, esta cratera de impacto está localizada no hemisfério sul do lado oculto da Lua.

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Ao centro, a cratera de Von Kármán LROC

Até agora, nenhuma sonda aterrou neste lado da Lua devido a dificuldades técnicas. Para contornar o problema, em Maio deste ano a China enviou o satélite Queqiao, que entrou em órbita da Lua em Junho e ficou a uma distância entre 65 mil e 80 mil quilómetros do nosso satélite natural. “O satélite vai receber as instruções da base aeroespacial na Terra para as encaminhar até à sonda e ao veículo espacial. Depois, comunicará de volta os dados para a Terra”, explica-se no jornal espanhol El País.

O objectivo da missão é conhecer melhor a história e geologia deste lado da Lua. E a cratera de Von Kármán é particularmente interessante para os cientistas porque se localiza numa zona de impacto com milhões de anos.

“A Chang’e-4 validará mais tecnologias de aterragem e melhorará as operações dos robôs e de comunicações mais complexas”, disse Bernard Foing, director do grupo de trabalho de exploração lunar da Agência Espacial Europeia, ao site SpaceNews. James Head, cientista planetário da Universidade Brown (Estados Unidos), em declarações ao mesmo site, considera este feito (caso se realize) como “um passo absolutamente significativo”. E adianta: “Ganhar segurança nas aterragens no lado oculto [da Lua] abre ‘outro continente’ para uma exploração plena, recolha de amostras e para resultados científicos fundamentais.”

Resta saber agora quando aterrará a Chang’e-4. Se tudo acontecer como o lançamento da sonda em meados de Dezembro, há secretismo à volta da missão. Segundo o El País, só quatro horas antes do lançamento da Chang’e-4 houve uma confirmação de que tal aconteceria e surgiu da parte do Governo local de Xichang, onde está a base espacial. Além disso, foi o site da associação de astrónomos amadores de Yunnan, na China, que difundiu em streaming do lançamento.

“As autoridades chinesas não negaram nem confirmaram o lançamento, que foi relatado por jornalistas chineses e especialistas em missões espaciais e em astrofísica”, refere o jornal espanhol, acrescentando que o lançamento foi confirmado quase uma hora depois pela cadeia estatal chinesa CGTN e pelo jornal diário chinês Global Times.

A Chang’e-4 faz parte de uma família de outras quatro sondas, que deverá aumentar em 2019. Por exemplo, em 2013, a Chang’e 3 já tinha aterrado no lado visível da Lua. A China planeia enviar outra sonda para a Lua no próximo ano – a Chang’e 5 –, com o objectivo de recolher amostras do solo lunar e de as trazer para a Terra.

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