Governo americano paralisado por causa do muro com o México

Presidente cancela viagem para passar o Natal na Florida, mas nada aponta para uma solução rápida do impasse político. O Senado só volta a reunir-se após o Natal, no dia 27.

Donald Trump recusa assinar o financiamento para as agências do Governo enquanto o Congresso não aceitar financiar o seu muro na fronteira com o México
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Donald Trump recusa assinar o financiamento para as agências do Governo enquanto o Congresso não aceitar financiar o seu muro na fronteira com o México SHAWN THEW/EPA

A paralisação parcial do Governo (shutdown) que começou à meia-noite de sexta-feira deverá durar pelo menos até segunda-feira, segundo o diário Washington Post. O Senado só voltará a reunir-se no dia 27.

Apesar de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter adiado a viagem que tinha marcada para o resort de Mar-a-Lago, na Florida, para passar o Natal, o Post descreve um edifício do Capitólio, onde funciona o Congresso, vazio, e sem votações agendadas. Com muitos congressistas fora de Washington, nada fazia crer numa mudança que levasse ao fim da paralisação.

A paralisação ocorreu depois de Trump recusar um acordo de curto prazo entre senadores democratas e republicanos porque este não incluía verbas para o muro que pretende construir na fronteira com o México – uma verba que quase chega aos seis mil milhões de dólares e que os democratas recusam aprovar.

Com a iminência da tomada de posse de uma Câmara dos Representantes em que a maioria será democrata já a 3 de Janeiro (depois das eleições intercalares de Novembro), Trump vê esta como a melhor, ou única, hipótese de pressão para concretizar uma medida que foi central na sua campanha eleitoral.

Trata-se de uma paralisação parcial, envolvendo 25% das verbas para os serviços federais, já que 75% tinham já sido aprovadas até Setembro do ano passado. O financiamento para os restantes 25%, incluindo os departamentos de Segurança Interna, Justiça e Agricultura, só existia até à meia-noite de sexta-feira. 

Os parques federais estão fechados, assim como vários monumentos, e mais de 400 mil trabalhadores essenciais nas agências afectadas irão trabalhar sem ser pagos até a disputa se resolver. Outros 380 mil ficarão de licença sem vencimento.

Os líderes do Congresso e a Casa Branca prometeram continuar o diálogo durante o fim-de-semana para tentar chegar a um acordo antes do Natal, mas ambos os lados pareciam irredutíveis.

A maior paralisação de Governo nos EUA durou 21 dias, entre 1995 e 1996, por causa de um conflito entre o então Presidente Bill Clinton e um congresso republicano sobre o financiamento do Medicare (Clinton foi considerado o vencedor); e em 2013, houve uma paralisação durante 16 dias por causa da medida chave do então Presidente Barack Obama, que prejudicou os republicanos, que acabaram por desistir.

Trump teve já dois dias de paralisação do Governo em Janeiro, por causa de uma medida relacionada com imigração, em que os democratas acabaram por aceitar um compromisso sem grandes garantias, e foram criticados por isso.

Desta vez, a questão também se prende com imigração, e com muitos a fazer já cálculos para as eleições presidenciais de 2020, é difícil prever quem vai ceder.