Auditor obriga Caixabank a pagar mais para tirar BPI da bolsa

Valor por acção ficou nos 1,47 euros, mais dois cêntimos do que o valor oferecido pelo grupo espanhol.

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Caixabank tem hoje 94,9% do BPI Miguel Nogueira

O Caixabank vai ter de pagar mais do que previa para tirar o BPI da bolsa, depois de o auditor independente ter fixado em 1,47 euros o preço a pagar por cada acção, mais dois cêntimos do que o valor oferecido pelo grupo espanhol.

Neste momento, o Caixabank detém 94,9% do capital, pelo que, feitas as contas, para ficar com os restantes 5,1% terá de desembolsar 108 milhões de euros (1,4% acima do que tinha planeado), entre pagamentos a pequenos investidores (no final do ano passado havia 10.463 accionistas particulares, que, juntos, eram donos de 4,3%) e alguns institucionais.

Entre os accionistas abrangidos por esta operação está Fernando Ulrich, o anterior presidente executivo do banco - cargo hoje ocupado por Pablo Forero - e actual presidente do conselho de administração. De acordo com o relatório e contas de 2017, Fernando Ulrich tinha 2.033.456 acções (equivalente a 2,9 milhões de euros). Outros dois membros da administração com acções eram Pedro Barreto, com 500.000 títulos (735 mil euros), e Alexandre Lucena e Vale, com 59.284 (87 mil euros).

A definição do valor da contrapartida mínima a oferecer no âmbito do procedimento de perda de qualidade de sociedade aberta - cujo processo está ainda a correr - foi comunicada ontem à noite pelo regulador do mercado de capitais, a CMVM, cerca de quatro meses após a nomeação do auditor independente.

Por parte do Caixabank, este tinha avançado com o montante de 1,45 euros por acção por ser esse o preço que pagou em Maio para ficar com os 8,4% do grupo Allianz (operação que permitiu subir a posição para 92,9%, tendo depois comprado vários títulos no mercado). O valor, afirmou então o banco catalão, representava um prémio de 22% face ao preço dos seis meses anteriores.

O processo de saída de bolsa do BPI (neste momento já não consta do principal índice, o PSI 20, cabendo ao BCP a única presença financeira) teve origem na Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada em 2016. Em Fevereiro de 2017, depois de longas negociações com accionistas como Isabel dos Santos, o Caixabank assegurou 84,5% do BPI.

A estratégia de retirar o banco português do mercado de capitais (onde entrou em 1986) foi oficializada em assembleia geral no final de Junho deste ano, altura em que o Caixabank comunicou que ia avançar com a aquisição potestativa (ou seja, que implica a obrigatoriedade da venda) das acções que ainda não detinha, de modo a ficar com uma participação de 100%.