Os amigos da China

São vários os empresários e políticos com boas relações com Pequim. E alguns estão no Governo.

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LUSA/JOSE SENA GOULAO

Diogo Lacerda Machado

O amigo do primeiro-ministro ganhou notoriedade pública quando foi chamado para resolver temas difíceis como a reprivatização da TAP (financiada pelos chineses da HNA) ou o dossiê dos lesados do BES. Mas a sua ligação à China é antiga. Em 1988 Lacerda Machado chegou a Macau, com Eduardo Cabrita e Pedro Siza Vieira (dois actuais ministros de António Costa, de quem também são amigos) e está ligado a esta região por via da Geocapital, um projecto de investimentos em países lusófonos criado por Jorge Ferro Ribeiro e Stanley Ho, enquadrado pela formação, nesta região, do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Pedro Siza Vieira

O ministro da Economia tem um passado ligado ao Extremo Oriente que acompanha o percurso do seu amigo Lacerda Machado. A sua ligação mais recente deu-se pela via dos donos da EDP, a China Three Gorges (CTG), e já lhe causou mesmo um embaraço político. Isto porque antes de entrar no Governo, Siza Vieira era sócio da Linklaters, a sociedade de advogados que trabalha para a CTG. E que o obrigou a um pedido de escusa em assuntos do sector energético. No entanto, antes ainda desse pedido de escusa, reuniu com a CTG como ministro -adjunto antes da OPA da EDP. Uma operação ainda facilitada por uma medida legal proposta pela Comissão Executiva da Estrutura de Missão para a Capitalização de Empresas. Onde estava Siza Vieira.

Magalhães Correia

É o homem dos chineses na área financeira. Presidente da Fidelidade, controlada pelo conglomerado chinês da Fosun, está presente no BCP como administrador não executivo nomeado pela Fosun (que controla o maior banco privado) e senta-se ainda na mesa da administração da REN (também controlada pelos chineses da State Grid). As sinergias entre BCP e Fidelidade estreitam-se a cada dia que passa e absorvem ainda a Luz Saúde, o maior grupo privado de saúde.

Eduardo Catroga

O ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva está no Conselho Geral e de Supervisão (CGS) da EDP, o órgão onde estão representados os accionistas de referência, desde Junho de 2006. Entre 2012 e 2017 presidiu ao CGS em representação da CTG, que venceu a operação de privatização da eléctrica no final de 2011. Depois de dois mandatos como presidente, Catroga cedeu lugar a Luís Amado, mas manteve-se na administração não executiva em representação da CTG Portugal.

João Marques da Cruz

O presidente da Câmara de Comércio Luso-chinesa foi administrador da EDP Internacional entre 2007 e 2012 (em 2009 presidiu à Companhia de Electricidade de Macau). Chegou à gestão executiva da EDP em 2012 (em 2014 passou a presidir à EDP Internacional) e, na última assembleia-geral em que foi reeleito para um novo mandato até 2020, viu-lhe reforçadas as atribuições, com a EDP Distribuição, além da EDP Internacional e EDP International Investment and Services. Além disso, preside à Hydro Global, a empresa detida em partes iguais pela CTG e a EDP para o desenvolvimento de barragens em mercados emergentes.

Luís Montenegro

Dois dias antes de Xi Jiping aterrar em Lisboa, Luís Montenegro disse: "Devemos olhar para a China como um parceiro". Não é inocente. O ex-deputado que liderou a bancada do PSD, é sócio de um escritório de advocacia - Sousa Pinheiro & Montenegro, sociedade de advogados – e representa interesses da China Datang Overseas Investment Co. Ltd (uma das maiores empresas de energia da República Popular da China) em Portugal.

Pedro Rebelo de Sousa

Tal como Luís Montenegro, o advogado Pedro Rebelo de Sousa, irmão do Presidente da República, representa em Portugal os interesses da Datang, a empresa de energia chinesa que aguarda a decisão da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) sobre a aquisição da Novenergia Holding Company, que controla a Generg. Rebelo de Sousa é também o presidente da Mesa da assembleia geral do BCP, proposto pelo fundo de investimento chinês Fosun, accionista de referência da EDP. No final de 2016 foi também indicado para administrador não-executivo do Haitong Bank, ex-BESI, mas acabou por recusar o convite.

Augusto Mateus e Braga de Macedo

Augusto Mateus é economista e professor, tem 68 anos e é membro do Conselho Geral e Supervisão da EDP. Foi governante de António Guterres, tendo assumido as pastas de ministro da Economia e secretário de Estado da Indústria. Em 2012, ao Negócios, disse uma frase premonitória: “Portugal anda a fazer um pouco de China. Portugal é mais China do que pensamos”. Tal como Augusto Mateus, Braga de Macedo integra o Conselho Geral e Supervisão da EDP. Tem 72 anos, foi ministro das Finanças de Cavaco Silva e é professor da Nova School of Business and Economics.

Luís Castro Henriques

Aos 40 anos, é o economista que manda na AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo desde Março de 2017. Foi adjunto do Governo de Santana Lopes, no qual trabalhou directamente com o ministro Álvaro Barreto. Antes de entrar na AICEP tinha coordenado algumas áreas de marketing no Grupo EDP, onde também foi assessor da Administração da EDP Inovação. “Sou presidente de uma agência pública. Política não é comigo. Trabalho com o que existe”, disse ao cumprir um ano de mandato.

Com Luís Villalobos