Contrapposto: aos 18 anos, Íris filmou nus para “levantar questões”

Corpos nus, respirações ofegantes e sexo. Numa altura em que corpos nus com mais de 25 mil anos são censurados em nome do politicamente correcto, a curta-metragem Contrapposto, de Íris Souto, quer “levantar questões”. Para isso, mostra nus sem pudor e espelha a sexualidade sem complexos. “Queria que as pessoas saíssem da sala de cinema e se questionassem sobre o filme e sobre a sociedade”, explica ao P3 a realizadora de 18 anos, que quer “obrigar as pessoas a ver o que não estão habituadas” — mas que deveriam estar. É que “se o nu fosse mais aceite, muitos problemas das sociedades actuais resolviam-se”, defende.

Enquanto toda a gente vê “o corpo de forma muito fechada”, Íris decidiu mostrá-lo sem filtros. O objectivo é “ser incómodo”, sobretudo porque “no cinema o nu ainda gera desconforto”, o que não acontece tanto com a pintura. A realizadora dá o exemplo dos gregos antigos que se serviam da pintura para representar as suas experiências sexuais. “Nas escolas não nos ensinam isso”, crítica Íris, actualmente em Inglaterra a estudar música, depois de três anos na Escola Artística Soares dos Reis. Sobre o futuro, afirma que gostava de conciliar as duas áreas: "O ideal era colocar a minha música nos filmes que produzo.”

O filme vai ser exibido no festival Porto/Post/Doc a 26 de Novembro, no Rivoli, pelas 16h30h, no âmbito de uma parceria com a Escola Artística Soares dos Reis. Por lá também será possível ver Cogumelos Pepperoni de Ana Carolina Silva.

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