Moção de desconfiança a Theresa May é cada vez mais provável

Vinte deputados conservadores já anunciaram publicamente o envio de cartas a pedir moção à líder do partido e primeira-ministra. São necessárias 48 para haver votação, mas há alguns que o podem ter feito secretamente.

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Reuters/POOL

Está a ganhar cada vez mais força a possibilidade de a primeira-ministra britânica, Theresa May, enfrentar na próxima semana uma moção de desconfiança do próprio partido, na sequência da apresentação do rascunho do acordo alcançado com Bruxelas sobre o “Brexit”.

Publicamente, foram já 20 os deputados que enviaram o requerimento a pedir a moção, mas não se sabe quantos o fizeram secretamente. Os media britânicos dizem que é provável que cheguem nesta sexta-feira ao chamado Comité 1922 do Partido Conservador as 48 cartas de deputados necessárias para desencadear a moção de desconfiança à líder do partido. A acontecer, a votação deverá ocorrer na terça-feira.

Recorde-se que para se votar esta moção é necessário que 15% dos actuais 315 deputados conservadores escrevam cartas ao líder do Comité 1922 – que representa todos os deputados conservadores.

Além disso, a Sky News noticiou nesta manhã que foi pedido a todos os whips do Governo (responsáveis por garantir, entre outras coisas, que a disciplina de voto é cumprida na bancada parlamentar do partido), que cancelem os seus compromissos e que regressem a Londres, uma vez que a moção de desconfiança é cada vez mais “provável”.

Nesta quinta-feira, May ficou sem três membros do Governo, que se demitiram em oposição aos termos do acordo entre Londres e Bruxelas sobre o “Brexit”. Foram eles, Dominic Raab, ministro para o “Brexit”, Esther McVey, ministra do Trabalho, e o secretário de Estado para a Irlanda do Norte, Shailesh Vara. O vice-presidente do Partido Conservador, Rehman Chisti, também renunciou ao cargo.

Ainda não há substitutos dos demissionários. Sabe-se que Michael Gove, ministro do Ambiente, foi convidado a assumir a pasta do “Brexit”. Ao longo do dia de quinta-feira foi sendo noticiado que Gove exigia renegociar o acordo com Bruxelas para aceitar o cargo e chegou a ser avançado que iria apresentar a demissão.

No entanto, esta sexta-feira o próprio Gove confirmou que vai permanecer no Governo e ajudar a primeira-ministra a convencer os deputados de que o acordo alcançado com Bruxelas é o melhor para o Reino Unido.