Jornalista da CNN insultado por Trump é expulso da Casa Branca

Presidência revoga credencial de acesso de Jim Acosta após um momento de tensão durante uma conferência de imprensa.

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Reuters/JONATHAN ERNST

Jim Acosta, correspondente da CNN na Casa Branca, viu esta quarta-feira ser-lhe negado o acesso à sede da Presidência norte-americana depois de, horas antes, ter sido insultado por Donald Trump durante uma conferência de imprensa.

O incidente aconteceu quando Acosta fazia uma série de perguntas sobre a caravana de migrantes que está a atravessar a América Central rumo aos EUA, e que se tornou numa arma de arremesso político durante a campanha para as eleições de terça-feira. Trump respondeu às primeiras questões, defendendo que a entrada de estrangeiros no país deve decorrer pelos canais legais, exasperando-se depois com a insistência do jornalista no tema.

“Acho que me devias deixar chefiar o país. Tu chefias a CNN, e se o fizesses bem, as audiências não estariam tão mal”, disse Trump, antes de o jornalista colocar uma nova pergunta sobre a investigação às suspeitas de interferência russa na campanha para as eleições de 2016. “A CNN devia ter vergonha de ter uma pessoa como tu a trabalhar”, acrescentou o Presidente dos EUA, qualificando Acosta como uma "pessoa terrível e mal-educada".

Ao mesmo tempo, uma funcionária da Casa Branca tentava retirar o microfone a Acosta, que resistiu por alguns instantes. 

O microfone acabou por ser efectivamente retirado e entregue a outro jornalista, Peter Alexander, da NBC, que defendeu o colega da CNN, considerando “injusto” o ataque do Presidente.

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A conferência de imprensa, marcada por vários momentos de tensão entre Trump e os jornalistas, prolongar-se-ia por mais de uma hora.

Já ao final de um longo dia político, que acabaria por ficar dominado pelo afastamento do procurador-geral Jeff Sessions, a assessora de imprensa do Presidente anunciou a retirada das suas credenciais de acesso à Casa Branca ao jornalista da CNN, sugerindo a ocorrência de um confronto físico entre o repórter e uma funcionária da presidência que as imagens transmitidas em directo não confirmam.

“Nunca iremos tolerar que um jornalista ponha as suas mãos numa jovem mulher que estava só a tentar fazer o seu trabalho”, escreveu Sarah Sanders na rede social Twitter.

“Este comportamento é absolutamente inaceitável”, acrescentou, acusando ainda Jim Acosta de não ter permitido que os seus colegas colocassem questões a Donald Trump.

"Isto é uma mentira", reagiria Acosta, também através do Twitter, onde confirmou que lhe foi vedado o acesso à Casa Branca.

“Os serviços secretos acabam de me pedir a credencial”, escreveu, publicando um vídeo em que um agente o aborda.

Este é apenas o mais recente incidente numa já longa guerra entre Trump e vários jornalistas norte-americanos, que o Presidente apelida de “inimigos do povo”.