O Barreiro Rocks volta aos anos 1990 e não só

Na 18.ª edição, que dura de 31 de Outubro a 3 de Novembro, o festival da cidade da margem sul do Tejo reúne os Lulu Blind e traz King Khan, Magnetix, The Howlin' Jaws ou Kings of the Beach.

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Os Lulu Blind, que acabaram em 2001, voltam a reunir-se no Barreiro Rocks Rui Vasco

O Barreiro Rocks, o festival que leva rock'n'roll nacional e internacional à cidade da margem sul do Tejo que lhe dá o nome, está de volta para a 18.ª edição, centrada no Grupo Desportivo Os Ferroviários, com quatro dias de concertos, sets DJ e ainda a projecção de um documentário.

Tudo arranca esta quarta-feira, dia que será de reunião de velhas glórias do rock português dos anos 1990, com Gasoleene, Us Forretas Ocultos e Lulu Blind, a banda liderada por Tó Trips, hoje nos Dead Combo, que lançou três álbuns entre 1990 e 2001. Pelo meio, haverá espaço também para os Duendes do Umbigo, que continuam no activo desde 1993.

O regresso dos barreirenses Gasoleene e dos Us Forretas Ocultos, de Alcobaça, foi instigado pelo próprio festival, conta ao PÚBLICO o director Carlos Ramos, ou Nick Suave (ex-Nick Nicotine). “Aproveitámos o embalo que os Lulu Blind tomaram há uns meses ao tocarem uns temas ao vivo no Sabotage para os instigar a tocarem um concerto inteiro", explica, referindo-se à noite de Maio em que a banda interpretou quatro temas no clube do Cais do Sodré para assinalar a reedição e os 25 anos do lançamento de Dread, o disco de estreia.

A primeira noite, continua Carlos Ramos, "tem um âmbito claramente definido": "É um tributo a esta malta que era underdog nos anos 1990 e que continuou a tocar sem parar noutros projectos. Não é propriamente aquela reunião do pessoal careca e barrigudo – sem desprimor para carecas e barrigudos como eu – que ficou estes últimos 30 anos no sofá.”

No feriado de 1 de Novembro, à tarde, na recentemente inaugurada sede da associação cultural Gasoline, assistir-se-á a estreia do último episódio de Dança Camarra, a série documental de Eduardo Morais sobre a música moderna barreirense, desta feita focada nos anos 1990 – os quatro episódios anteriores também serão exibidos –, seguindo-se uma actuação dos Humana Taranja, que se formaram no Programa Jovens Músicos do Barreiro. É o único dia de entrada gratuita do festival.

Na noite de sexta-feira, as atracções incluem o regresso ao Barreiro do sempre endiabrado canadiano King Khan, colaborador frequente dos Black Lips, aqui com os seus Louder Than Death, um colectivo que existe desde 2004 e com quem lançou este ano um EP, o punk/garage/pop de Vaiapraia e as suas Rainhas do Baile, o trio portuense Fugly e a estreia de ALGUMACENA, um projecto que junta a guitarra e a voz de Alex D'Alva Teixeira (metade de D'alva) à bateria de Ricardo Martins (Lobster, Cangarra, Bruxas/Cobras ou Adorno). Actuam ainda o duo Tiger Picnic, com membros de The Dirty Coal Train, e o trio Sun Blossoms.

Já sábado será a noite do casal francês dado à distorção e ao fuzz Magnetix, dupla que faz parte da formação dos Louder Than Death de King Khan, bem como dos seus compatriotas rockabilly à antiga, com contrabaixo e tudo – Howlin' Jaws, os espanhóis Kings of the Beach, que partilham o nome com um videojogo do final dos anos 1980, o barreirense (e membro dos Gasoline) Fast Eddie Nelson, o trio caldense Palmers, dado a garage/surf/punk, e os Lisbon South Bay Freaks, que também vêm do Barreiro e também são um trio.

Carlos Ramos diz que o Barreiro Rocks é organizado por uma "produção guerrilha". E que isso se nota: "Acho que quem nos visita sente que este é um festival que faz uma ponte engraçada entre uma programação cuidada e um ambiente de colectividade genuíno". Do cartaz, prefere destacar os nomes "mais emergentes": "Os Humana Taranja, que estão prestes a lançar um EP, os Palmers ou uma grande surpresa, os ALGUMACENA, que juntam dois grandes amigos do festival, músicos do caraças e que nunca esperei ver a tocarem juntos."