Mediadores para o sucesso chegam ao pré-escolar e ao secundário

É o maior parceiro privado do Ministério da Educação no combate ao insucesso. A EPIS – Empresários para a Inclusão Social vai chegar este ano lectivo a oito mil alunos de 258 escolas. A filosofia mantém-se a mesma de há 12 anos: trabalhar as competências não-cognitivas para garantir o sucesso escolar de alunos de risco.

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EPIS quer chegar ao pré-escolar para "sinalizar antecipadamente factores de risco" adriano miranda

Poder-se-ia aplicar como uma luva o ditado “de pequenino se torce o pepino” à decisão da EPIS – Empresários para a Inclusão Social alargar agora ao pré-escolar a sua intervenção junto dos alunos de risco. “Quanto mais cedo conseguirmos intervir junto das crianças menos desenvolvidas e menos potenciadas, melhor. Se dermos as ferramentas certas a crianças dos três aos cinco anos, será depois mais fácil garantir um percurso escolar de sucesso”, justifica Diogo Simões Pereira, o director-geral daquele que é o maior parceiro privado do Ministério da Educação no combate ao insucesso que conduz ao abandono escolar.

Mas a chegada do programa "Mediadores para o Sucesso Escolar" aos meninos do pré-escolar não será a única novidade neste ano lectivo. Pela primeira vez nos 12 anos que soma de intervenção nas escolas, a EPIS vai também começar a intervir junto de alunos do secundário. “Começámos no ano lectivo passado com um projecto-piloto em Mafra. Temos já 150 alunos do secundário a serem acompanhados e esperamos estabelecer mais parcerias ao longo do ano lectivo”, acrescenta Diogo Simões Pereira.

A EPIS foi criada em 2006 por empresários e gestores portugueses que escolheram a educação como forma de promover a inclusão social. Neste momento, a presença dos mediadores da EPIS nas escolas portuguesas descreve-se do seguinte modo: “Estamos em 44 concelhos do continente, que é um recorde, e vamos chegar a um total de 258 escolas, com um total de 156 mediadores a acompanharem cerca de oito mil alunos, distribuídos por todo o ciclo da escolaridade obrigatória."

Psicólogos ou assistentes sociais

Mais complexo será descrever como é que se consegue recuperar alunos que muitas vezes as escolas já deram como perdidos. A intervenção dos mediadores, que tanto podem ser professores como psicólogos ou assistentes sociais, é feita sempre fora da sala de aula e incide sobretudo no reforço das competências não-cognitivas.

“Ajudamos os jovens a serem organizados, responsáveis, a terem sentido de esforço e de ambição, a serem colaborativos, a saberem interagir com os professores e com os colegas”, precisa o director-geral da EPIS. “São miúdos que estão desmotivados e que perderam o comboio da aprendizagem. Não damos explicações, o objectivo é ajudá-los do ponto de vista da organização social, ajudando-os a criar métodos de estudo, muitas vezes em articulação com os professores das disciplinas em que eles estão mais fracos, mas a ideia é sempre que sejam eles próprios a fazerem o seu processo de recuperação”, acrescenta.

Como muitas vezes os problemas destes alunos de risco vêm de casa, o processo pode implicar intervir junto da família e, nos casos mais extremos, envolvendo outras entidades, “do sistema de saúde ao judicial”. “A nossa abordagem é de 360 graus a volta dos alunos”, resume Diogo Simões Pereira, para lembrar que nada disto é conseguido se o mediador não conseguir criar no aluno “uma espécie de ambição ou projecto de vida”. No fundo, é pô-lo a responder de uma forma positiva à pergunta: “O que queres ser quando fores grande? Para onde é que queres ir?”

Nas contas da própria EPIS, mais de 25 mil alunos foram acompanhados nos últimos dez anos. Nos últimos dois anos lectivos, o sucesso dos alunos acompanhados no 2.º e 3.º ciclo atingiu os 86%, mais 7,4 pontos percentuais do que em 2016. Já no 1.º ciclo, a aprovação dos alunos atingiu os 98,7%, porque, como sublinha Diogo Simões Pereira, “à medida que descemos na idade é maios fácil recuperar os alunos”.

Daí a decisão de alargar a intervenção às crianças do pré-escolar, numa intervenção que procurará “sinalizar antecipadamente factores de risco” e preparar as crianças entre os três e os cinco anos para o início da escolarização aos seis anos. A decisão de alargar a intervenção ao secundário, por seu lado, resulta de uma constatação mais ou menos óbvia: “Com o prolongamento da escolaridade obrigatória até ao 12.º ano, transferiu-se para o secundário o problema que víamos no 3.º ciclo dos alunos que estavam desmotivados, tinham insucesso, e que só estavam à espera de fazer 15 anos para poderem entrar no mercado de trabalho. Esse paradigma transferiu-se hoje para os 18 anos e é aí que procuraremos intervir."