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Lucro da Ryanair desce 7% no "pior Verão de sempre" em greves

Subida de receitas, impulsionada factores como o pagamento de bagagens, não evitou erosão do resultado líquido no primeiro semestre.

Apesar das greves, a Rynair diz que receitas dos passageiros subiram,
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Apesar das greves, a Ryanair diz que receitas dos passageiros subiram, Reuters/DARREN STAPLES

A Ryanair viu os seus lucros descerem 7% no primeiro semestre do seu ano fiscal (que acabou a 30 de Setembro) para 1,2 mil milhões de euros. Isto apesar de um aumento de passageiros (mais 6%, para 76,6 milhões) e da melhoria das receitas, que subiram 8% para 4,79 mil milhões de euros.

O encaixe com segmentos como o pagamento de bagagens e vendas a bordo subiu a um ritmo superior ao das receitas totais: 27%, chegando aos 1,3 mil milhões no semestre.

De acordo com o comunicado da empresa, há vários factores que explicam a queda dos lucros, como a descida de 3% do valor médio das tarifas (com efeito na margem de lucro) devido a “excesso de capacidade na Europa” e as “repetidas greves” de controladores aéreos (com um pico de cancelamentos que afectou as viagens mais caras).

A transportadora aérea de baixo custo diz ainda que os resultados foram penalizados pelo aumento do custo do combustível, do pessoal e dos pagamentos  por atrasos e cancelamentos. Se no caso das greves dos controladores aéreos, onde se destacam os franceses (que provocam fortes distúrbios em grande parte dos voos europeus pela sua localização geográfica) a empresa fala no “pior Verão de que há registo” e que está a pressionar em Bruxelas para que haja mudanças, no que diz respeito às greves de pessoal da Ryanair o tom já é diferente.

No comunicado emitido esta segunda-feira a transportadora irlandesa liderada por Michael O’Leary diz que apenas sofreu “um pequeno número (oito)” de greves no Verão. Mantendo o discurso que tem vindo a utilizar, fala de progressos desde que aceitou reconhecer os sindicatos, em Dezembro do ano passado.

Um dos exemplos dados pela empresa é o que diz ter feito com os pilotos portugueses na sexta-feira, dia em que afirmou que tinha chegado a um acordo “que servirá de base para acordos relativos a antiguidade e transferência de base” aérea. Horas depois, o Sindicato dos Pilotos da Aviação da Aviação Civil (SPAC) sustentou que os “progressos existentes” ainda eram “insuficientes para se considerar que existe um acordo sobre todas as matérias”.

Mencionando depois casos em que os avanços têm sido lentos, a Ryanair dá os casos de Portugal e Espanha, em termos de tripulantes de cabine, e da Alemanha, em termos de pilotos, voltando a acusar os dirigentes de agir em prol da concorrência. No caso de Portugal, a empresa tem visado a presidente do Sindicato Nacional de Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), Luciana Passo.

Sustentando que consegue “gerir as greves”, embora faça “o máximo por as evitar”, a transportadora refere que vai continuar a negociar e a fechar acordos com mais sindicatos durante o inverno. “Não podemos excluir a realização de algumas greves” nos próximos meses “mas a expectativa é a de que o impacto será muito limitado”, diz a Ryanair.