Procura pelo ensino superior privado aumentou 17,5% no último ano

Os dados oficiais divulgados nos últimos dias traçam o perfil de quem estudava e leccionava em 2017/18 no ensino superior.

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Dos 122.811 alunos que se inscreveram pela primeira vez no superior no último ano lectivo, 81,8% foram para o público e 18,2% para o privado Nélson Garrido

Dos 122.811 alunos que no ano lectivo 2017/18 chegaram pela primeira vez ao ensino superior, 18,2% inscreveram-se em universidades e politécnicos privados. Representa um aumento de 17,5% relativamente ao ano lectivo anterior. Em contrapartida, no ensino superior público, o crescimento ficou-se pelos 5,9%.

Os dados constam do Registo de Alunos Inscritos e Diplomados do Ensino Superior — RAIDES 2017, divulgado pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). A análise estende-se até 1995/96. Nesse ano lectivo, o sector privado congregava 41% dos alunos que chegavam ao superior. Desde então, o peso destas instituições foi diminuindo — e só em 2015 se iniciou uma recuperação da procura, ainda que lenta. Em 2016/17, os privados receberam 18.986 novos alunos, apenas 0,5% mais do que no ano anterior. Em 2017/18 entraram 22.318 “caloiros” — um crescimento de 17,5%, como se disse.

No somatório dos alunos inscritos (independentemente do ano frequentado), os que estavam em instituições privadas representavam, no ano lectivo passado, 17,2% do total, o que também traduz um ligeiro aumento do peso do sector relativamente ao ano anterior (16,3%) — embora ainda longe dos 29% do ano lectivo que marcou a viragem da década, 2000/01.

Menos querem ser professores

O RAIDES 2017 mostra também que são cada vez menos os alunos que optam por cursos destinados à docência e que as raparigas continuam em maioria entre os universitários.

Por partes. Relativamente às raparigas, em 2017/18, estas representavam 55% do total de alunos inscritos no primeiro ano e pela primeira vez. O aumento da representação feminina relativamente ao ano lectivo anterior foi de 7,4%, numa tendência, de resto, que se mantém desde 1995/96. Recorde-se que, no universo de 372.753 alunos que frequentavam o superior no último ano lectivo, o peso percentual das mulheres era de 53,8%. No que diz respeito aos cursos, a área da Educação foi a única que apresentou um decréscimo no número de inscritos de 3,8%, entre público e privado. A maior quebra na procura de cursos voltados para a docência deu-se, contudo, no privado, onde chegou aos 16,4%, com menos 2029 alunos inscritos.

Ao contrário, a área de Tecnologias da informação e Comunicação foi a que registou um maior aumento percentual de alunos inscritos, com um crescimento de 9,3% no público e de 19,7% no privado.

No último ano lectivo, a área de “Ciências Empresariais, administração e direito” somava o maior número de inscritos (80.468, ou seja, 21,6% do total), seguida dos cursos da área de “Engenharia, indústrias transformadoras e construção” (78.830, ou seja, 21,1%) e da “Saúde e protecção social” (57.518, 15,4%).

Mais doutorados

A DGEEC divulgou ainda dados sobre os professores do ensino superior — mais de 34 mil, sendo que sete em cada dez estão no ensino público. Da síntese dos resultados destacam-se algumas conclusões: “Nos últimos 12 anos, o número de docentes habilitados com doutoramento cresceu 69,6%, passando de 12.090 em 2005/06 para 20.502 em 2017/18.”

PÚBLICO -
Aumentar

Ou seja, neste último ano lectivo 59,9% dos docentes do ensino superior a leccionar em Portugal tinham doutoramento, sendo o peso superior no ensino público.

Há uma explicação simples para este crescimento: com o Regime Jurídico da Instituições do Ensino Superior, publicado em 2007, o doutoramento passou a ser a qualificação mínima para dar aulas no superior — tendo sido então estabelecido um período transitório, de adaptação, que, no caso do ensino politécnico, só termina no próximo ano.

A média de idades dos professores manteve-se nos 47 anos. E as mulheres representam menos de metade do universo (44,% no ensino público e 45,9% no privado). Com A.S.