Governo italiano ignora Fitch e promete: “Os italianos primeiro”

Ministros do Governo italiano dividem-se entre declarações a prometer romper e cumprir as regras europeias.

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O Governo de coligação tem três meses Reuters/REMO CASILLI

Entre a ameaça de não cumprir a regra do défice abaixo de 3% em 2019 e a promessa de que afinal respeitará os compromissos com a Europa depois de ver a agência de rating Fitch baixar a perspectiva da dívida italiana, o Governo de coligação voltou neste domingo à casa de partida.

Luigi Di Maio, secretário-geral do Movimento 5 Estrelas (M5S) e um dos vice-presidentes do Governo, afirma que escolherá sempre “os italianos primeiro” e não aquilo que as agências de rating dizem que deve ser feito.

Um dos alertas deixados pela agência de notação financeira norte-americana quando na sexta-feira colocou a nota soberana de Itália sob perspectiva negativa (sinalizando uma descida da avaliação) tem a ver com o facto de o aumento da despesa pública complicar a gestão da dívida italiana, que ronda os 133% do produto interno bruto do país e é a segunda mais alta da União Europeia, só superada pela Grécia (Portugal é o terceiro).

Di Maio voltou a falar da introdução de um rendimento mínimo no próximo ano, promessa que, diz, tem de ser incluída “no orçamento para que, pelo menos, cinco milhões de italianos pobres possam voltar a trabalhar”.

Nos últimos dias houve declarações contraditórias. Primeiro, o subsecretário da Presidência do Conselho de Ministros, Giancarlo Giorgetti, afirmou que Itália ultrapassará o limite do défice de 3% se for preciso fazê-lo “para que o país fique em segurança”; mas depois dos alertas da Fitch e já com os mercados a pressionarem a recompra de dívida soberana, o ministro da Economia, Giovanni Tria, já dizia no sábado: “Temos compromissos com a Europa que devem ser respeitados”.

Tria tem sido a voz que procura acalmar o nervosismo dos investidores, mas no domingo Luigi Di Maio já garantia que o Governo do M5S e da Liga fará uma “escolha histórica”. O Governo tem de apresentar ao Parlamento as novas metas de despesa pública e investimento até 27 de Setembro e entregar o esboço do Orçamento de 2019 em Bruxelas até 15 de Outubro, tal como os outros países do euro.