Fogo destrói "milhares de colmeias" na serra de Monchique

Há dezenas de milhares de colmeias na serra de Monchique, lugar de eleição para a apicultura no barlavento algarvio.

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PAULO RICCA

O incêndio que deflagrou no dia 3 em Monchique destruiu "milhares de colmeias" na serra de Monchique, disse nesta sexta-feira à agência Lusa o presidente da Associação de Apicultores do Barlavento Algarvio (Apilgarbe).

"Milhares de colmeias foram destruídas, sem sombra de dúvida", vincou o presidente da Apilgarbe, Hélder Águas, sublinhando que há dezenas de milhares de colmeias na serra de Monchique, lugar de eleição para a apicultura no barlavento algarvio.

No entanto, os afectados não serão apenas de Monchique e de Silves, mas também apicultores de outros concelhos que tinham apiários na serra, zona propícia para a produção de mel, notou.

"Normalmente, para se defenderem do fogo, corta-se o mato à volta dos apiários e conseguem resistir muitas vezes, mas é preciso que esteja tudo muito limpo para que as chamas não cheguem lá", explicou. Os apicultores, frisou, "estão completamente desorientados e fortemente prejudicados por isto".

A situação não é inédita e já no passado a apicultura saiu gravemente afectada de outros fogos que passaram pela serra, referiu.

Porém, este ano, face à actuação das autoridades na retirada das pessoas das localidades, "muitos apicultores não conseguiram ir buscar as colmeias e pô-las em sítios seguros".

"O futuro vai ser muito complicado. A apicultura é um trabalho duro e pessoas com 50, 60, 70 anos ainda trabalham nisto, mas a malta nova já pouco liga. Agora que as florestas arderam, as coisas ainda vão ficar mais complicadas", sublinhou Hélder Águas.

O presidente da Associação dos Apicultores do Sotavento Algarvio (Melgarbe), Manuel Francisco Dias, considerou que a sua congénere terá sido fortemente afectada pelo incêndio, ainda para mais "na zona com mais apicultores" e que mais mel produz no Algarve. "A Melgarbe tem cerca de 60 mil colmeias registadas. Na zona do barlavento serão ainda mais", frisou.

O incêndio rural, combatido por mais de mil operacionais e considerado dominado nesta sexta-feira de manhã, deflagrou no dia 3 à tarde, em Monchique, distrito de Faro, e atingiu também o concelho vizinho de Silves, depois de ter afectado, com menor impacto, os municípios de Portimão (no mesmo distrito) e de Odemira (distrito de Beja).

A Protecção Civil actualizou o número de feridos para 41, um dos quais em estado grave (uma idosa que se mantém internada em Lisboa).

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais, as chamas já consumiram cerca de 27 mil hectares. Em 2003, um grande incêndio destruiu cerca de 41 mil hectares nos concelhos de Monchique, Portimão, Aljezur e Lagos.

Na terça-feira, ao quinto dia de incêndio, as operações passaram a ter coordenação nacional, na dependência directa do comandante nacional da Protecção Civil, depois de terem estado sob a gestão do comando distrital.

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