PSD Lisboa pede demissão de Ricardo Robles

Concelhia social-democrata acusa o bloquista de "falta de ética, de seriedade e de credibilidade política" que lhe permita continuar no cargo de vereador em Lisboa.

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O vereador bloquista tem um acordo de governação da cidade com o PS Miguel Manso

O PSD Lisboa exige a demissão de Ricardo Robles, vereador do Bloco de Esquerda na câmara de Lisboa, depois de o Jornal Económico ter avançado que o bloquista se está a preparar para a venda de um prédio Alfama, que lhe pode render mais de quatro milhões de euros. 

Em comunicado, a concelhia social-democrata, liderada por Paulo Ribeiro, refere que Ricardo Robles, que detém as pastas da Educação e dos Assuntos Sociais, tem dado a “cara nos cartazes e nas ruas contra o bullying e a especulação imobiliária, contra os despejos, contra os abusos do alojamento a local e contra a gentrificação”, acusando-o de ser “um especulador imobiliário, que despeja inquilinos e que, pretende ganhar milhões e enriquecer com a especulação imobiliária na zona histórica do município onde é vereador”. 

O PSD Lisboa exige, por isso, a sua demissão "por manifesta falta de ética, de seriedade e de credibilidade política para permanecer no cargo de vereador na cidade”. 

“Queremos ainda registar que este caso vem mostrar que os discursos e as posições do Bloco de Esquerda são uma chocante fraude política que manipula os eleitores e se proclama publicamente contra a ‘especulação imobiliária’, quando um dos seus principais eleitos faz negócios milionários à sua custa”, rematam os sociais-democratas. 

A notícia da compra e recuperação de um prédio em Alfama pelo vereador bloquista a meias coma irmã foi avançada esta sexta-feira pelo semanário Jornal Económico, que adiantou ainda que o prédio foi colocado à venda por 5,7 milhões de euros. Ora, entre aquisição e obras, os dois terão gastado cerca de um milhão de euros. A venda deverá render-lhes cerca de 4,7 milhões de euros. 

Ricardo Robles tem sido uma das vozes mais activas contra a "especulação imobiliária" que se vive na cidade, acusando, inclusive, o próprio executivo que integra de ser um “promotor da especulação imobiliária”.

O vereador já reagiu nas redes sociais, divulgando todos os esclarecimentos que prestou aos jornalistas sobre esta história e onde reitera que a sua conduta como co-proprietário do edifício “em nada diminui a legitimidade das [suas] propostas para parar os despejos, construir mais habitação pública e garantir o direito à cidade”.