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Morreu Sergio Marchionne, o pai da recuperação da Fiat

O executivo tinha 66 anos. Tinha abandonado a liderança da empresa há quatro dias, devido a problemas de saúde.

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LUSA/ALESSANDRO CONTALDO

Sergio Marchionne, que até há quatro dias era o presidente executivo da empresa automóvel italiana Fiat Chrysler, morreu nesta quarta-feira. O ex-presidente tinha 66 anos. Este fim-de-semana, Marchionne anunciou que iria abandonar o cargo devido a problemas de saúde. O empresário não resistiu às complicações que surgiram após uma cirurgia ao ombro, conta a Bloomberg.

A morte do empresário foi confirmada pela empresa Exor NV e pelo herdeiro do império Agnelli e actual presidente da Fiat, John Elkann, em comunicado: “Infelizmente, o que temíamos aconteceu. Sergio Marchionne, homem e amigo, deixou-nos”, escreveu. “A melhor maneira de honrar a sua memória é construir o legado que nos deixou, continuar a desenvolver os valores humanos de responsabilidade e abertura”, acrescentou.

Sergio Marchionne já tinha sido substituído na presidência executiva da Fiat no fim-de-semana passado, assim que se tornou conhecido o agravamento do seu estado de saúde. Mike Manley, que liderou as marcas Jeep e Ram, ocupa o seu lugar desde então. A mudança já estava planeada porque Marchionne tinha intenções de se reformar em 2019.

Marchionne, que recebeu do pai um Fiat 124 coupé como seu primeiro carro aos 16 anos, marcou a história da empresa. Formado em Filosofia, Comércio e Gestão e Advocacia, ficou conhecido por ter salvado a Fiat da bancarrota em 2004, ano em que assumiu a presidência executiva da empresa. Foi capaz de relançar a Fiat e assim completar “a tarefa mais difícil do mundo".

O empresário, nascido em Itália mas criado no Canadá, foi o primeiro fora do clã Angelli a tomar as rédeas da fabricante de automóveis e introduziu uma necessária mudança na mentalidade e valores da Fiat.

Endividada e mal gerida, a Fiat descurou o negócio automóvel durante anos a fio e apostou, erradamente, na diversificação do grupo para outras áreas, como seguros, banca e energia. Quando chegou, Marchionne pegou numa empresa com quase 800 milhões de euros de prejuízo e introduziu as necessárias alterações às equipas de gestão e concepção. E deu frutos: em 2006 fechou o ano com um lucro de 260 milhões de euros.

O empresário ficou também conhecido por ser o estratega por trás da fusão com a Chrysler, empresa norte-americana, em 2009 — no pico da crise financeira. Conseguiu convencer o governo norte-americano a vender uma empresa na bancarrota e transformou a Fiat Chrysler — a empresa que nasceu da fusão — numa das mais rentáveis da indústria em menos de uma década.