Cimeira da NATO

Trump acusa a Alemanha de estar "cativa" da Rússia e Merkel diz que "faz muito pela NATO"

Presidente dos EUA criticou a Alemanha por estar a apoiar a construção de um gasoduto para importar gás russo em vez de contribuir para o orçamento da NATO, que tem como objectivo proteger a Europa da Rússia. Chanceler responde: a Alemanha é independente e diz que "faz muito" pela Aliança.

Trump esteve com Stoltenberg num pequeno-almoço informal que antecedeu a cimeira
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Trump esteve com Stoltenberg num pequeno-almoço informal que antecedeu a cimeira Reuters/KEVIN LAMARQUE

O Presidente norte-americano, Donald Trump, acusou nesta quarta-feira a Alemanha de estar “cativa” da Rússia numa altura em que os líderes ocidentais se reúnem em Bruxelas para a cimeira da NATO.

Trump disse ao secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, que a Alemanha estava errada ao apoiar um novo gasoduto no Mar Báltico de 11 mil milhões de dólares para importar gás russo enquanto tem sido lenta a contribuir para os gastos com a defesa da NATO que pretendem proteger a Europa da Rússia.

“Deveríamos estar proteger-nos da Rússia e Alemanha vem e paga milhares de milhões de dólares por ano à Rússia”, disse Trump, na presença dos jornalistas, num encontro antes da cimeira na residência do embaixador dos Estados Unidos na Bélgica.

Em resposta, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que a Alemanha "faz muito pela NATO”, e  lembrando o anterior domínio soviético no Leste europeu: “Eu própria assisti como uma parte da Alemanha era controlada pela União Soviética”, disse Merkel, citada pela Reuters.

“Estou muito feliz por hoje sermos a República Federal da Alemanha, unida na liberdade. Porque assim podemos dizer que tomamos as nossas decisões políticas com independência. Isto é muito bom, especialmente para as pessoas na Alemanha de leste”, afirmou a chanceler.

Merkel defendeu ainda que a Alemanha “faz muito pela NATO”. “A Alemanha é o segundo maior fornecedor de tropas, a maior parte da nossa capacidade militar é oferecida à NATO e a até hoje temos um forte compromisso em relação ao Afeganistão. Nisto também defendemos os interesses dos Estados Unidos”.

Stoltenberg acabou por afirmar aos jornalistas, mais tarde, que Trump utilizou uma “linguagem muito directa” mas que todos os aliados da NATO concordaram que o custo para a defesa deve ser partilhado e que no ano passado registou-se o maior aumento numa geração.

“Apesar das discordâncias, espero que todos concordemos que somos mais fortes juntos do que separados”, disse ainda.