Com encontro "cordial" Pedro Sánchez e presidente catalão começam a descongelar relações

Chefe do Governo espanhol disse a Torra que é contra referendos e declarações de independência. Mas ficou marcada uma segunda reunião, a ter lugar em Barcelona.

O chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, com Quim Torra
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O chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, com Quim Torra Ballesteros/EPA

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, recebeu em Madrid o presidente da Catalunha, Quim Torra, para uma reunião destinada a descongelar as relações entre Madrid e a região com um governo pró-independência. Os dois decidiram ressuscitar um gabinete para discussões bilaterais que estava desactivado desde há sete anos. 

Numa atmosfera descrita como "cordial" no Palácio da Moncloa (sede do Governo espanhol), Sánches e Torra falaram durante mais de duas horas. O novo chefe do Governo socialista não optou pela linha dura em relação à questão catalã, como tinha feito o seu antecessor, o conservador Mariano Rajoy. 

A Catalunha declarou a independência em Outubro do ano passado, após um referendo considerado ilegal por Madrid. Em resposta, Rajoy accionou o artigo da Constituição que retirou autonomia à região (entretanto reposta) e aplicou a administração directa de Madrid. O governo catalão, presidido por Carles Puigdemont, foi afastado mas os independentistas voltaram a vencer as eleições.

Puigdemont está actualmente na Alemanha onde espera que a justiça decida se deve ou não ser enviado para Espanha, como pediu a justiça deste país. 

Numa conferência de imprensa citada pela Reuters, a vice-presidente do Governo, Carmen Calvo, disse que Sánchez deixou claro que se opõe a qualquer referendo sobre a independência ou a qualquer tentativa de separação territorial. E anunciou que ficou marcado um segundo encontro, a realizar em Barcelona.

"Foi um encontro longo, sincero e em que pudemos dar a nossa visão sobre a Catalunha", disse Torra no final da reunião. "Esta reunião não serviu para convencer ninguém mas para se reconhecer a existência de dois projectos políticos. Vi um presidente do governo que escutava e tomava notas".