Há um balão e 50 mil pessoas à espera de Trump. Mas não estão felizes

Donald Trump desloca-se pela primeira vez ao Reino Unido enquanto Presidente norte-americano, mas a visita é tudo menos consensual. Até entre os convidados do jantar, que está a ser preparado por May, há relutância.

O presidente da Câmara de Londres aprovou o lançamento de um balão que retrata Trump como um bebé
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O presidente da Câmara de Londres aprovou o lançamento de um balão que retrata Trump como um bebé Reuters/Simon Dawson

Donald Trump visita oficialmente o Reino Unido na próxima semana e para o receber estão a ser organizados inúmeros protestos. Em Londres são esperadas pelo menos 50 mil pessoas e haverá um balão com a forma do Presidente dos Estados Unidos na forma de um bebé irritado.

Há um ano, Trump suspendeu a viagem com receio de manifestações hostis. É a primeira visita ao Reino Unido enquanto Presidente dos EUA. Na agenda tem um encontro com a primeira-ministra britânica, Theresa May. Porém, a Casa Branca ressalva que não se trata de uma visita de Estado, mas sim de uma “visita de trabalho”. Seja como for, há um sentimento anti-Trump no país: a mensagem é a de que ele não é bem-vindo.

Nesta quinta-feira, o presidente da câmara de Londres, Sadiq Khan (eleito pelo Partido Trabalhista), autorizou que um balão com cerca de seis metros de altura, caricaturando Trump na forma de um bebé irritado, possa sobrevoar os céus durante a visita à cidade, a 13 de Julho.

"O mayor apoia o direito aos protestos pacíficos e entende que estes podem adoptar diferentes formas", explicou um porta-voz de Sadiq Khan. 

A relação entre Trump e Sadiq  Khan, que é muçulmano, não é a mais pacífica — Khan criticou o decreto de Trump a proibir a entrada nos EUA de cidadãos de alguns países de maioria muçulmana, o Presidente acusou o mayor  de Londres de desvalorizar o terrorismo.

Leo Murray, um dos autores da ideia do balão, explica que o objectivo é captar a atenção de Donald Trump através dos seus pontos fracos. "Ele é um homem extremamente inseguro e esse é o único poder que temos sobre ele. Se queremos a atenção de Trump, temos de fazer algo que o faça sentir humilhado."

A primeira-ministra britânica (a primeira líder estrangeira a ser recebida por Trump depois de tomar posse em Janeiro de 2017) quer garantir que o visitante é bem recebido, mas nem o jantar que está a ser preparado para o Presidente americano é um tema pacífico.

Entre os cerca de 150 empresários convidados para o jantar de quinta-feira, oferecido por Theresa May, existe desconforto e relutância estar presente. A situação foi revelada ao Financial Times por um responsável de uma das empresas que trata da comunicação de alguns dos empresários e que relata, sob anonimato, a este jornal londrino que alguns dos clientes dele perguntaram se devem ou não participar. Receiam algum tipo de impacto negativo na imagem das empresas. “O meu conselho é que devem ir no caso de os EUA representarem parte significativa do mercado deles”, explicou. “Mas os meus clientes têm consciência dos potenciais problemas dessa escolha.”