Trabalham? Que idade têm? O que os leva a interromper o curso? Perfil do estudante na Europa

Em Portugal não é tão comum como noutros países ter um trabalho pago em tempo de aulas: 22% dos alunos do ensino superior dizem trabalhar regularmente ao longo do ano lectivo. A estes somam-se os 8% que mencionam trabalhos ocasionais.

Educação superior, Educação, Ensino secundário
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Miguel Manso

Chama-se Eurostudent, vai na sexta edição, tem o financiamento dos países que nele participam e do programa da União Europeia Erasmus+, bem como dos ministérios da Educação da Alemanha e da Holanda. O inquérito foi feito a 320 mil alunos de 28 países. As respostas permitem traçar o perfil de quem está a estudar para ter um diploma superior.

Deixar de estudar por falta de dinheiro e não só...

Por falta de motivação, por razões económicas, por dificuldades em conciliar um trabalho pago com os estudos, por razões familiares... Em média, no seu percurso escolar, 7% dos estudantes do ensino superior interrompem temporariamente as suas licenciaturas ou mestrados, pelo menos durante dois semestres consecutivos, por alguma destas razões. É esta a taxa em Portugal e também no conjunto dos países analisados no Eurostudent. Croácia, Estónia, Turquia e Albânia apresentam percentagens maiores, entre os 10% e os 15%.

Mas se estamos em linha com a média no que diz respeito ao peso dos que interrompem os estudos, já não é assim na hora de analisar as razões que os levam a fazê-lo. Portugal é dos países onde as questões económicas são as mais referidas para justificar a pausa: 41% dos estudantes que interrompem temporariamente os estudos superiores dizem que o motivo principal é “dificuldades económicas”. Nos 28 países analisados, a percentagem dos que alegam o mesmo é de 27%.

A falta de motivação é apontada por 35% dos portugueses, não muito longe da média internacional, que é de 31%. É a segunda razão mais mencionada. Portugal volta a estar fora da regra noutro aspecto: na maior parte dos países é nos cursos de mestrado que é mais frequente interromper os estudos; aqui, é mais comum acontecer nas licenciaturas do que nos mestrados, como assinala o relatório.

Em Portugal só 22% trabalham regularmente

Trabalhar enquanto se tem aulas? 35% dos estudantes do ensino superior fazem-no regularmente nos 28 países analisados e 16% têm trabalhos ocasionais ao longo do ano lectivo. Em suma: mais de metade aufere rendimentos do trabalho para ajudar nas despesas.

Em Portugal não é tão comum ter um trabalho pago em tempo de aulas: 22% dos alunos dizem trabalhar regularmente, a estes somam-se os 8% que mencionam trabalhos ocasionais. Ou seja, menos de um em cada três (30%) tem rendimentos do trabalho. Na Alemanha e na República Checa a percentagem é de 71%, na Estónia de 66%, na Islândia de 68%... estes são os países onde mais jovens trabalham (permanentemente ou ocasionalmente) e estudam.

O relatório avalia ainda o número de horas semanais dedicadas ao trabalho pago. Num terço dos países, a média é inferior a 10 horas por semana. É o caso de Portugal (nove horas em média), Dinamarca, Itália, Suíça, Albânia, França, Sérvia, Turquia e Suécia. Em Portugal são os alunos de cursos de Gestão, Administração e Direito os que mais horas dedicam a um trabalho pago enquanto estudam (14 horas semanais). Os de Matemática, Estatística e Ciências passam apenas três horas semanais a exercer um trabalho pago. Como seria de esperar os que ainda vivem com os pais são os que menos conciliam estudos e trabalho (seis horas, quando a média dos 28 países é 10).

Sair do secundário e entrar no superior é a regra

Em Portugal 83% dos alunos (contra 86% no resto dos países) fazem a chamada “transição directa” do secundário para o superior (definida no relatório como um ingresso numa universidade ou politécnico até 24 meses após o fim dos estudos secundários). É na Suécia que é menos comum passar directamente para o ensino superior (72%).

O perfil do Eurostudent mostra ainda o background familiar dos alunos. Em Portugal apenas 35% têm pais que também têm um grau superior. A média dos 28 países é 47%. Na Alemanha 73% dos alunos têm pais diplomados.

Mais dados sobre o estatuto socioeconómico dos alunos: um em cada cinco portugueses (22%) diz que os pais “não estão bem na vida”. A média é 20%. Entre os países com maiores percentagens dos que dizem que os pais “não estão bem na vida” estão a Turquia, a Irlanda, a Croácia e a Roménia (mais de 25% em qualquer caso).

Estudar e ter filhos é pouco frequente

Ter filhos e ser estudante do ensino superior é menos comum por cá do que noutros países. Acontece com 8% dos inquiridos em Portugal. A média dos 28 Estados em estudo é 10%. Na Islândia é bem mais frequente: 33% dos estudantes têm filhos.

Este indicador deve ser lido em linha com outro: a idade de quem estuda. Números: 68% dos alunos na Europa têm menos de 25 anos. Num extremo está a Islândia, onde apenas 41% têm essa idade e a maioria (59%) têm 25 ou mais anos. A Finlândia surge logo a seguir como o 2.º país onde mais gente mais velha anda na universidade: 54%. No outro extremo, está a Geórgia, onde 89% dos alunos têm menos de 25 anos e só 11% são mais velhos. Portugal está algures no meio: 28% têm 25 ou mais anos, 72% menos.

A maioria avalia bem a qualidade dos professores

O grau de satisfação com o curso que se está a tirar varia bastante. Olha-se apenas para o que se passa nas universidades: 62% dos estudantes portugueses estão muito satisfeitos com a qualidade dos professores (a média dos 28 países é 65%). Metade dos portugueses também diz estar muito satisfeita com a organização dos estudos e os horários (a média é de 55%).