Cinco jovens designers portuguesas em Roma

Joana Braga, Nycole, Daniela Pereira, Maria Pereira e Mara Flora apresentaram, na quinta-feira, no arranque da Altaroma, as suas propostas para o caminho internacional.

Passarela, Moda
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Ugo Camera

Entre os estúdios de cinema da chamada "Hollywood italiana" – a Cinecittá, em Roma – cinco jovens designers portuguesas apresentaram, ao fim do dia de quinta-feira, as suas respectivas propostas.

No arranque da Altaroma, uma mostra de tendências rodeada de cenários de uma Roma clássica e desaparecida, as designers usufruíram de uma plataforma, palco e passerelle privilegiados para a divulgação das suas identidades profissionais.

Joana Braga, Nycole, Daniela Pereira, Maria Pereira e Mara Flora terão beneficiado de uma "noção daquilo que é uma apresentação profissional fora de portas, mas também de olheiros internacionais muito próximos do trabalho deles", diz Mónica Neto, em representação do Portugal Fashion.

Esta quarta participação do projecto de moda da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) no calendário da Semana de Moda da capital italiana permitiu ainda "perceber o interesse da Altaroma nesta parceria não só com o Portugal Fashion, mas também com o Bloom, que é a sua plataforma de jovens criadores, que encontrou aqui um parceiro com uma missão muito semelhante", reforça a responsável.

Para uma das cinco jovens criadoras, Joana Braga, a principal inspiração para a mostra que exibiu em Roma "foi o procrastinar, isto é, a atitude de uma pessoa quando tem tarefas para fazer e acaba sempre por adiá-las e passá-las à frente, uma atitude muito summer (Verão) e, basicamente, o inacabar de algo importante, como um vestido", diz a jovem, acabada de apresentar uma colecção de vestidos de uma só manga, entrecortados por riscas de Verão e inspirados no filme de 1967 La Collectionneuse, de Éric Rohmer.

Já para Nycole, a marca de menswear a que dá o nome só recolhe vantagens em desfilar na Altaroma, sobretudo pelo que considera "um mercado bom, principalmente na área do vestuário masculino", em que cruza inspirações dos anos 1970 ao elaborar "uma mistura entre o desportivo e o vintage", com bonés, blazers e calções reminiscentes do streetwear e de equipamento de basebol antigo, tudo ao som de Led Zeppelin.

"É incrível, porque aqui temos mais noção de o que é fazer um desfile", diz Daniela Pereira, autora de uma colecção inspirada na bailarina e coreógrafa alemã Pina Bausch e incidente "sobre a ideia do homem, do masculino, mas também um homem mais feminino", traduzida em conjuntos de tecidos fluidos – "como normalmente a dança é" – e cruzados com tecidos rígidos, coletes de lã, formas sólidas.

Repleta de transparências e PVC, a colecção de Maria Meira, de cariz assumidamente minimalista, incluiu ainda a palavra "sub" em várias tiras de plástico descendentes, no que a designer em ascensão descreve à Lusa como querendo dizer "inferioridade, tipo o lado da mulher que às vezes se leva para isso. Depois, foi brincar e divertir-me um bocado."

Também Mara Flora preferiu conjugar materiais artificiais, como poliéster, com outros "mais crus, como a sarja completamente crua, sem tratamento", para atingir um efeito de contraste entre o industrial e o natural, com recurso a algodão acetinado.

Se para a jovem criadora o contexto das suas peças muda, na capital italiana, no sentido em que sente "um entusiasmo proporcional ao tamanho da cidade e ao público que Roma representa enquanto consumidor de moda", já para Simonetta Gianfelici, colaboradora e "buscadora de talentos" da Altaroma, os "criadores portugueses estão ao começar, também em Itália, a depender de uma maior visibilidade."

"Adoro o trabalho que estão a fazer, muito parecido com a nossa missão no Altaroma, transversal às instituições, para apoiar a criatividade, a produtividade do Made in Portugal", considera, ressalvando que "a criatividade nasce das próprias raízes culturais, que são indispensáveis para qualquer tipo de talento".

"Hoje em dia, um talento não se pode concentrar apenas no design, mas tem necessidade de olhar à volta, saber muito de marketing de comunicação, e, na minha opinião, também de ética", conclui.