Marcelo diz que responsáveis políticos estão a fazer o que podem mas é preciso mais

Presidente da República assistiu a uma missa em homenagem às vítimas dos incêndios.

PR com um grupo de javens no Congresso Nacional dos Queimados.
Foto
PR com um grupo de jovens no Congresso Nacional dos Queimados LUSA/Paulo Cunha

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou este domingo que os responsáveis políticos estão "a fazer o que podem" para combater os problemas evidenciados pelos fogos, mas sublinha que é preciso mais, para garantir que há um empenho duradouro, prolongado e persistente.

"Ou isto serve para mudarmos mesmo de vida ou o que é que andamos a fazer aqui? Os mais responsáveis dos responsáveis para quem os outros olham e dizem: Os senhores estão aí e estão a fazer o que podem?", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, no Congresso Nacional dos Queimados, que decorre em Pedrógão Pequeno, concelho da Sertã, uma das várias iniciativas que assinalam a tragédia de há um ano.

O PR, que assistiu a uma missa, juntamente com o primeiro-ministro, dedicada às vítimas, disse ainda que todos os responsáveis estão  trabalhar para que a tragédia não se repita, “mas provavelmente ainda não chega. É preciso mais",

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "há empenho a todos os níveis" e o país já mudou depois dos grandes incêndios de 2017, mas essa mudança, vincou, tem de ser suficiente, duradoura, prolongada, persistente e constante.

Falando no congresso, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que os queimados são doentes crónicos, indo ao encontro das reivindicações da associação que organiza o evento.

"Os queimados representam uma realidade, que traduz uma doença crónica", cuja realidade "não pára no momento em que há alta hospitalar".

“Não mais essa realidade os vai largar, não mais essa realidade vai largar a vida dos familiares, dos amigos, dos companheiros de trabalho, dos vizinhos, dos que estão próximos da mesma comunidade", vincou o Presidente da República.

Para o chefe de Estado, ter noção dessa realidade "é ter noção de que aquilo que se impõe é renascer todos os dias por tempo indefinido".

À entrada da igreja matriz de Pedrógão, Marcelo disse à entrada esperar um momento "comovente, mas ao mesmo tempo mobilizador".

"Por um lado, evocamos a dor, o luto, do passado e olhamos para o futuro", afirmou à chegada a mais uma cerimónia de homenagem às vítimas dos incêndios.

"Há esta mistura de que é feita a vida. Sendo muito importante o passado, não se pode esquecer, é mais importante o futuro", frisou o chefe de Estado.

Questionado se hoje vê menos desolação e tristeza na zona de Pedrógão Grande, onde há um ano eclodiu um incêndio que fez 66 mortos e mais de 250 feridos, Marcelo lembrou que na noite de sábado, num baile de finalistas de alunos do ensino secundário em Castanheira de Pera, encontrou "uma mistura de dor, de luto, num ou noutro caso até de lágrimas por aqueles que não podiam estar presentes num encontro tão importante para aqueles jovens, mas depois muitos projectos de futuro", enfatizou.

"Há aqui uma força de futuro, há uma força vital, há um lado de celebração da vida e de afirmação da vida muito forte. Mais forte nos mais jovens do que nos menos jovens, como é natural", argumentou o PR.

À cerimónia na igreja matriz de Pedrógão Grande participam, para além de Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro António Costa, a líder do CDS-PP Assunção Cristas e o líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, entre outros.