Editorial

Avaliação de professores, será desta vez?

Avaliar, sim, mas valorizando a carreira. Há muita gente a criticar a injustiça das progressões automáticas dos professores. Mas sabia que, mesmo assim, muitos professores com 24 anos de serviço estão no 3º escalão (em 10) porque esse pretenso automatismo não é assim tão automático?

A ex-ministra da Educação do PS, Maria de Lurdes Rodrigues, enfrentou durante o seu mandato, pelo menos, oito greves, oito manifestações de professores, três vigílias e dois cordões humanos. Foi das ministras mais contestadas de sempre. Uma das razões? O modelo de avaliação de professores que quis criar. O PS perdeu, entretanto, a maioria absoluta e a vontade de avaliar os professores.

Maria de Lurdes Rodrigues, ministra de má memória mesmo para muitos socialistas, está hoje no pensamento de vários, uns membros do Governo, outros dirigentes do partido. Chegado ao momento em que deve repor rendimentos cortados durante os anos da troika, o PS percebeu que não pode dar tudo o que os sindicatos e os parceiros de esquerda pedem. E mais: que afinal até teria sido boa ideia ter mexido no método de avaliação e progressão dos professores, no final da anterior década. É essa conversa que agora percorre as cúpulas socialistas e percebe-se porquê - para equilibrar as contas públicas, o Governo nunca poderá aceitar a contagem do tempo integral de serviço que foi congelado e começa a achar que é melhor enfrentar o problema antes que a factura cresça mais.

Esse é o desafio imediato, não para já, mas seguramente para a próxima legislatura em 2019. E aparece numa altura em que, por sinal, o PSD tem hoje como um dos seus principais dirigentes, David Justino, ex-ministro da Educação e ex-presidente do Conselho Nacional de Educação que é a favor de um novo modelo de avaliação. A sua posição tem sido a de que seria “uma injustiça” sujeitar a exame professores que já deram provas de competência nos muitos anos de serviço mas que se deve começar por mexer na parte debaixo da pirâmide. Hipótese: as novas regras de avaliação incidiriam  apenas sobre os professores com menos de cinco anos de serviço. É um bom início de conversa. Mas, acrescento: avaliar, sim, mas valorizando a carreira. Há muita gente a criticar a injustiça das progressões automáticas dos professores. Mas sabia que, mesmo assim, muitos professores com 24 anos de serviço estão no 3º escalão (em 10) porque esse pretenso automatismo não é assim tão automático? Ou que esse mesmo professor com 24 anos de serviço completo recebe 1300 euros por mês?