Alunos do segundo ano com dificuldades motoras: 40% não sabem saltar à corda nem dar uma cambalhota

Presidente da CNAPEF considera resultados “inquietantes” e diz que devem servir para repensar o modelo de ensino da Educação Física no ensino primário. No que diz respeito aos alunos do 5.º ano, uma das maiores dificuldades é a Matemática.

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Alguns alunos do primeiro ciclo apresentam dificuldades a nível motor adriano miranda

Um terço dos alunos do 2.º ano que fizeram a prova de Expressões Físico-Motoras no ano passado teve dificuldade em participar num jogo de grupo, 46% não conseguiram dar seis saltos consecutivos à corda e 40% não conseguem dar uma cambalhota para a frente mantendo a direcção e levantando-se de pés juntos. Os dados foram divulgados pelo Jornal de Notícias (JN) e fazem parte do relatório do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), que analisa os resultados das provas de aferição e é divulgado esta terça-feira.

“Os resultados reforçam a ideia de que a Educação Física não é dada no 1.º ciclo como devia”, defende o presidente da Confederação Nacional das Associações de Professores e Profissionais de Educação Física (CNAPEF), Avelino Azevedo, ouvido pelo JN. Azevedo diz que “os resultados são inquietantes” e que deveria ser repensado o modelo de ensino da Educação Física no ensino primário, idades em que se desenvolvem capacidades como o equilíbrio ou flexibilidade, diz.

Além da disciplina de Educação Física, há outras áreas em que os alunos apresentam dificuldades: 72% dos estudantes do 5.º ano não conseguiram identificar o rio Mondego na prova de História e Geografia de Portugal; nesta disciplina, as questões sobre o Tratado de Tordesilhas foram aquelas com menos respostas correctas, com 65% dos alunos a errarem todas as perguntas. Com base nos mesmos dados, o Diário de Notícias (DN) refere que 45% dos 90 mil alunos que realizaram as provas de aferição de História e Geografia do 2.º ciclo não conseguiram referir se Portugal estava a sudeste ou sudoeste do continente europeu.

Em Matemática, o insucesso é generalizado: na prova do 5.º ano, só 10% dos alunos conseguiram calcular a área de um polígono que envolvia a área de dois triângulos e de dois rectângulos.