Duterte acusado de machismo por insistir que mulher o beijasse

A associação filipina Gabriela disse que o beijo era uma “encenação nojenta de um Presidente misógino que se sente no direito de rebaixar, humilhar e desrespeitar mulheres a seu bel-prazer”. Esta não é a primeira vez que o Presidente está na mira das críticas por comportamento machista.

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Esta não é a primeira vez que o líder filipino tem comportamentos inadequados com mulheres Reuters/SAMRANG PRING

O líder filipino, Rodrigo Duterte, está a ser alvo de críticas por ter convencido uma mulher a beijá-lo em pleno palco em troca de um livro, durante uma visita a Seul, Coreia do Sul. A associação feminista filipina Gabriela acusa o Presidente de abusar do seu estatuto de poder para desrespeitar mulheres, no que dizem ser mais um episódio do seu comportamento machista e de desprezo pelo sexo feminino.

Na apresentação do livro de Aries Rufo Altar of Secrets: Sex, Politics, and Money in the Philippine Catholic Church (algo como Altar de Segredos: Sexo, Política, e Dinheiro na Igreja Católica Filipina), em frente a uma plateia de filipinos a trabalhar no estrangeiro, Duterte chamou duas mulheres a palco e prometeu oferecer-lhes uma cópia do livro em troca de um beijo. À primeira mulher deu um beijo na bochecha e um abraço, mas à segunda insistiu que o beijasse nos lábios.

Mais tarde, a mulher em causa (uma trabalhadora filipina no estrangeiro) disse que estava “nervosa, entusiasmada e assustada” com a situação, sobretudo porque o seu marido estava na plateia. Ainda que a mulher tenha vindo a referir que o beijo “não teve malícia” e que beijar o Presidente era uma experiência única na vida, a associação Gabriela argumenta que não era a mulher que se deveria sentir obrigada a justificar-se, mas sim o controverso chefe de Estado, que pelo seu cargo está vinculado a regras éticas.

No Facebook, a associação Gabriela diz que vê o episódio como uma “encenação nojenta de um Presidente misógino que se sente no direito de rebaixar, humilhar e desrespeitar mulheres a seu bel-prazer”. “Os seus actos de machismo repetidos funcionam como um meio de entretenimento para esconder a realidade da sua popularidade em queda”, defende ainda a organização feminista. Também as redes sociais se encheram de críticas ao líder filipino. “O típico assédio. Ele basicamente usou o seu poder/autoridade para ter consentimento à força da pobre rapariga”, comentou uma utilizadora do Twitter.

Ainda na Coreia do Sul, Duterte disse a um especialista em direitos humanos das Nações Unidas (que tinha dito que a independência do sistema judicial do país estava em perigo) para “ir para o inferno”.

As polémicas de Duterte

Esta não é a primeira vez que o Presidente filipino é acusado de ter comportamentos inapropriados em relação a mulheres. Em Março deste ano, Duterte ameaçou esbofetear a relatora especial das Nações Unidas, Agnes Callamard, acrescentando que ela era “subnutrida”, tendo ainda descrito uma procuradora do Tribunal Penal Internacional como “aquela mulher preta”. Este episódio fez com que o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Hussein, dissesse que Duterte precisava de ser submetido a “testes psiquiátricos”.

Em Maio do ano passado, Duterte fez uma piada sobre violação, quando dizia aos militares o que fazer durante a lei marcial, no combate à insurreição islamista no país: “Se tiverem violado três mulheres, cumprem a sentença. Mas se se casarem com quatro, levam porrada”. As suas declarações fizeram levantar um coro de críticas a nível internacional.

No ano anterior, o líder filipino já tinha brincado com o assassínio e violação de uma mulher australiana na cidade de Davao, onde era autarca na altura: “Fiquei zangado por ela ter sido violada. Mas ela era tão bonita, o presidente da câmara devia ter sido primeiro, que desperdício”, afirmou. O seu gabinete acabou por pedir desculpas pelas declarações.