Moção de censura: bascos com a chave que decide o futuro imediato de Rajoy

Os partidos independentistas catalães deverão mesmo apoiar a moção socialista contra o Governo espanhol. Votos dos nacionalistas bascos, que ainda não se decidiram, serão decisivos para o derrube ou sobrevivência de Rajoy, que se decide quinta e sexta-feira.

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LUSA/BALLESTEROS

Na antecâmara do debate e votação da moção de censura apresentada pelo PSOE contra o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, os holofotes centram-se nos cinco deputados do Partido Nacionalista Basco. Mas a incerteza ainda impera.

Para chegar aos 176 votos necessários para aprovar a moção de censura, cujo debate e votação estão marcados para quinta e sexta-feira, Sánchez necessita do apoio do Cidadãos ou da ala dos partidos regionais independentistas.

De acordo com o que foi noticiado pelos jornais espanhóis, na terça-feira, José Luis Ábalos, da direcção do PSOE, e o vice-secretário geral do Cidadãos, José Manuel Villegas, encontraram-se para tentar chegar a um compromisso. O socialista propôs fixar uma data para a realização de eleições antecipadas, tentando satisfazer uma das condições impostas pelo partido liderado por Albert Rivera.

O Cidadãos propôs três nomes independentes próximos ao PSOE para liderarem o Governo que se seguirá ao do PP para evitar que Sánchez suba ao poder. E continua a exigir que os socialistas deixem cair esta moção para apresentar outra que preveja a marcação de eleições antecipadas o mais cedo possível e a nomeação de um primeiro-ministro temporário independente.

Os socialistas argumentaram que a troca da moção é inviável neste momento e as negociações ficaram por aqui. A porta do Cidadãos está encerrada para Sánchez.

Agora, os socialistas viram-se para os partidos regionais. E Rajoy também, porque está aí a chave para o seu futuro político.

Nos últimos dias permaneceu a dúvida relativamente ao voto dos partidos catalães. Porém, nesta quarta-feira, durante uma sessão parlamentar, o deputado da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), Gabriel Rufián, garantiu o voto favorável dos nove deputados do partido.

Contas feitas a todos os partidos que já garantiram o seu apoio - Podemos, ERC, os valencianos do Compromís (quatro deputados) e o Nueva Canarias (um deputado) - o PSOE (84 deputados) tem garantidos 165 votos.

Há dois partidos que ainda não deram certezas sobre a sua posição e que podem decidir tudo a favor dos socialistas. O PDeCAT, que conta com oito deputados, e o Partido Nacionalista Basco (PNV), com cinco deputados.

O primeiro tem mantido conversações com Quim Torra, presidente da Generalitat, e com o ex-president Carles Puigdemont para ouvir o que têm a dizer e intensificaram as negociações com os socialistas. Há dois factores que podem levar os catalães a apoiarem a moção: em primeiro lugar, o facto de a ERC já ter assegurado o seu respaldo. E, em segundo, o facto de Torra ter substituído os membros do seu governo regional que se encontram presos e fugidos, colocando a Generalitat de volta à legalidade o que deverá extinguir a aplicação do artigo 155 na Catalunha.

Resta o PNV. E as dúvidas aqui ainda são maiores. Por um lado, os bascos aprovaram o Orçamento do Estado para 2017 e 2018, tendo sido fundamentais para a manutenção em funções do Governo do PP. É com essa carta, e com os benefícios concedidos aos bascos durante as negociações orçamentais, que joga agora Rajoy para tentar evitar a aprovação da moção de Sánchez.

Por outro lado, o PNV já fez saber que não quer que se realizem eleições já. Em caso de chumbo da moção dos socialistas, o Podemos garantiu que apresentará a sua própria e que terá como objectivo a marcação de eleições gerais de imediato. Ou seja, os bascos poderão ter o interesse em evitar a derrota de Sánchez na sexta-feira.