UE e NATO, solidárias com Londres, exigem respostas à Rússia sobre “caso Skripal”

Nesta segunda-feira chegam ao Reino Unido inspectores da Organização para a Proibição das Armas Químicas para recolher amostras do agente neurotóxico utilizado para tentar matar o antigo agente duplo russo e a filha.

A cidade de Salisbury continua em quase isolamento enquanto decorre a investigação ao envenenamento dos Skripal
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A cidade de Salisbury continua em quase isolamento enquanto decorre a investigação ao envenenamento dos Skripal Reuters/PETER NICHOLLS
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Aviso da polícia à população no restaurante onde Sergei e Iulia Skripal estiveram antes de serem encontrados inconscientes e que é um dos locais ainda vedados ao público Reuters/PETER NICHOLLS

A União Europeia exigiu à Rússia que disponibilize toda a informação sobre o agente químico da gama Novichok que terá sido utilizado para tentar matar o antigo agente duplo russo Serguei Skripal e a filha, Iulia.

Depois de terem sido informados sobre a situação de Skripal por Boris Johnson, ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, em Bruxelas, os seus 28 chefes da diplomacia da União Europeia emitiram um comunicado conjunto condenado o envenenamento do ex-espião e agente duplo afirmando que o bloco europeu encara de forma “extremamente séria” a acusação de Londres de que o Kremlin é responsável pela tentativa de duplo assassínio com recurso a armas químicas nas ruas da cidade de Salisbury.

Apesar de não ter acusado directamente Moscovo, o comunicado conjunto dos ministros europeus representa mais um apoio de peso para o Governo britânico neste conflito diplomático com a Rússia. E surge apesar das negociações sobre o “Brexit”, onde as posições de Londres e dos restantes europeus se têm mantido afastadas. Ou seja, este é um sinal de que, pelo menos em termos de segurança, o Reino Unido contará com o apoio de Bruxelas.

“A União Europeia está chocada com um ataque com recurso um agente neurotóxico, de um tipo desenvolvido pela Rússia, pela primeira vez em solo europeu em mais de 70 anos”, diz o comunicado dos chefes da diplomacia dos Estados-membros.

“A UE pede à Rússia que responda às questões urgentes levantadas pelo Reino Unido e pela comunidade internacional e que providencie imediatamente a divulgação completa do seu programa Novichok à OPAQ (Organização para a Proibição das Armas Químicas)”, diz ainda o comunicado, acrescentando que a União expressa solidariedade e apoio “sem reservas” ao Reino Unido.

Antes do encontro com os ministros europeus, Boris Jonhson falou aos jornalistas e criticou novamente o Governo russo, afirmando que este “não engana ninguém” com os seus desmentidos “cada vez mais absurdos”, segundo cita imprensa britânica.

Johnson confirmou ainda que nesta segunda-feira chegam ao Reino Unido responsáveis da OPAQ para recolher amostras do agente neurotóxico utilizado na tentativa de assassinato dos Skripal. Os resultados das análises a serem realizadas pelos inspectores internacionais deverão estar concluídos daqui a duas semanas.

Johnson aproveitou também a ida a Bruxelas para se encontrar com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg. Numa conferência de imprensa conjunta, Stoltenberg voltou a condenar o ataque em Salisbury, considerando-o um “total desrespeito pela vida humana”, denunciando um padrão de “comportamento irresponsável” por parte da Rússia.

“A resposta da Rússia mostrou um claro desrespeito pela paz e segurança internacional”, disse o secretário-geral da NATO, pedindo novamente que Moscovo divulgue totalmente o programa Novichok à OPAQ. “Vimos que a Rússia continua a desestabilizar os esforços no Leste da Ucrânia e a Rússia continua a interferir nos processos políticos e a minar as nossas instituições democráticas”.

O Kremlin informou que o Presidente russo, Vladimir Putin, falou ao telefone com o homólogo francês, Emmanuel Macron, deixando a garantia de que a acusação de Londres é infundada.

Nesta segunda-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, voltou a ser questionado sobre o tema e defendeu que terão de existir consequências para as acusações que chegam de Londres: “Mais tarde ou mais cedo estas alegações terão consequências. Ou são sustentadas em provas apropriadas ou terá de haver um pedido de desculpa”.

Serguei e Iulia Skripal continuam internados em estado crítico depois de terem sido expostos a um poderoso agente neurotóxico, da gama Novichok, que foi produzido na União Soviética durante os anos 70 e 80 e que se suspeita que seja ainda produzido na Rússia. Este incidente levou o Governo liderado por Theresa May a acusar Moscovo de estar por trás da tentativa de homicídio, levando a um conflito diplomático com o Kremlin.

Londres anunciou uma série de retaliações, incluindo a expulsão de 23 diplomatas russos e o corte de todos os contactos bilaterais de alto nível. A Rússia respondeu na mesma moeda e anunciou durante o fim-de-semana a expulsão de 23 diplomatas britânicos.