Califórnia autoriza carros autónomos sem condutor ao volante

A partir de Abril as máquinas vão começar a circular completamente sozinhas no estado norte-americano. Na Europa, o tema está em discussão.

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No Arizona, os carros da Waymo conduzem sem condutor desde Outubro Reuters/NATALIE BEHRING

Na Califórnia, EUA, já não é preciso um humano em frente ao volante dos carros autónomos. Há perto de mil condutores “de segurança” autorizados a testar esses veículos na região, mas a partir de 2 de Abril as máquinas vão começar a poder circular completamente sozinhas.

A actualização na legislação foi divulgada esta segunda-feira pelo Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia (DMV). “É um grande passo para a tecnologia autónoma na Califórnia,” disse a directora do departamento, Jean Shiomoto, em comunicado.

Em 2018, 50 empresas já têm autorização para testar a tecnologia no estado americano, mas a nova regra apenas se aplica às que tenham tecnologia para controlar o veículo à distância, de forma semelhante a um drone. Shiomoto reforça que “a segurança é a maior prioridade”.

Há cinco meses que estes testes já decorrem no estado do Arizona com carros da Waymo, a unidade de carros autónomos do Google. Até ao final do ano, a empresa quer lançar um sistema de transporte público, em que as pessoas possam marcar uma viagem carro autónomo a partir de uma aplicação móvel. O Congresso norte-americano está actualmente a discutir a possibilidade de se fabricarem carros autónomos sem volantes, pedais, e retrovisores – ou seja, carros com autonomia de nível 5, na qual o próprio carro é o único a conduzir.

Na Europa, o tema também se debate. Desde Agosto de 2017 que o Reino Unido autoriza testes com camiões semi-autónomos (com um humano pronto a intervir) em situações reais de circulação. Para já, porém, o humano ainda é essencial: todos os veículos autónomos a circular na Europa são de nível 2. Isto quer dizer que o carro consegue manter-se na faixa correcta, acelerar e desacelerar para evitar obstáculos, mas o humano tem de estar sempre atento para controlar o veículo em caso de problemas.

Com o olho no futuro, na Alemanha já há regras éticas para o comportamento dos carros completamente autónomos em caso de emergência (quando um acidente é inevitável): a estratégia é obrigar a máquina a salvar sempre o maior número de vidas humanas independentemente da idade, condição física, sexo, género, ou etnia. É uma regra que poderá não ajudar a vender a tecnologia junto dos consumidores. Um estudo publicado em 2016 mostra que, embora a maioria das pessoas concorde com carros autónomos preparados para provocar o mínimo número de vítimas em caso de acidente, não estariam dispostos a comprar um carro programado para o fazer.

A Comissão Europeia reconhece, no entanto, que é importante investir na condução autónoma para manter a competitividade no sector automóvel. “A cadeia de valor europeia para o sector automóvel ainda é forte, mas corre riscos se a indústria automóvel na europa perder a sua competitividade e ficar atrás na mudança para veículos mais autónomos e conectados,” lê-se num relatório publicado em 2017.

Para promover a discussão sobre a legislação e questões éticas, a União Europeia financia o projecto CARTRE – sigla em inglês para Coordenação da Implementação Automatizada de Transportes Rodoviários para a Europa. Com a participação de marcas como a Volvo, Bosch, Renault, e BMW, o objectivo é harmonizar diferentes métodos e visões para a condução autónoma nas estradas europeias, e organizar conferências anuais sobre o tema. Uma das questões levantadas é a necessidade de requalificar “pessoas empregadas no sector automóvel, nomeadamente, os motoristas, que são 4,4 milhões de pessoas”.

Nos próximos anos também é preciso mapear as estradas, garantir que os sinais de trânsito e marcações estão visíveis, e que há dispositivos automáticos em vigor para avisar os carros sobre alterações nas estradas ou acidentes. A Comissão Europeia prevê que carros completamente autónomos (sem volante, pedais e retrovisores), apenas cheguem ao mercado europeu daqui a uma década, em 2030. Os carros de nível 2 e nível 3 devem chegar até 2020.