Saída do Reino Unido sem acordo pode custar 500 mil empregos

Números são de um estudo encomendado a uma consultora pelo mayor de Londres, que pede ao governo um acordo para manter o país no mercado comum.

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Os sectores financeiro e dos serviços seriam os mais afectados, podendo perder até 119 mil postos de trabalho Reuters / Simon Dawson

Um estudo realizado pela consultora Cambridge Econometrics, a pedido do presidente da Câmara de Londres, o trabalhista Sadiq Khan, sugere que a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) pode ter diferentes custos, dependendo da existência ou não de um acordo. No pior cenário, um "Brexit" sem acordo pode custar até 500 mil postos de trabalho e levar à perda de 56 mil milhões de euros de investimento, ao longo dos próximos 12 anos.

“Se o Governo continuar a não tratar devidamente as negociações, podemos entrar numa década perdida, de baixo crescimento e baixa empregabilidade”, sustenta o mayor Sadiq Khan, acrescentando que o tempo para um acordo positivo começa a escassear.

No Twitter, Khan sublinha que o governo conservador liderado por Theresa May "não divulgou uma avaliação do impacto" do "Brexit" e que, por essa razão, decidiu encomendar este estudo. "O 'Brexit' terá um impacto nas vidas e nas finanças pessoais de todos no Reino Unido. Os londrinos e todas as pessoas deste país têm o direito a saber quais as consequências" da saída do Reino Unido da UE, explica o mesmo responsável, que tomou posse na autarquia da capital inglesa cerca de um mês antes do referendo que ditou o "Brexit". 

No estudo em causa (cuja versão original em inglês pode ser consultada aqui), a consultora analisou cinco cenários, com diferentes graus de "gravidade", estimando o impacto de cada um desses cenários sobre nove sectores de actividade. No pior cenário (saída da UE sem acordo com os parceiros europeus), os sectores financeiro e dos serviços seriam os mais afectados, podendo perder até 119 mil postos de trabalho.

Pelo contrário, no cenário mais vantajoso – em que o Reino Unido se manteria como membro do mercado único europeu –, numa perda de 176 mil postos de trabalho e 22 mil milhões de euros em investimentos. 

As negociações entre a União Europeia e o Governo britânico continua, com a data de separação definitiva marcada para 29 de Março de 2019