Oposição tenta destituir Presidente do Peru por ligações à Odebrecht

Maioria do partido fujimorista no Congresso acusa Pedro Pablo Kuczybski de "permanente incapacidade moral", depois de se terem descoberto ligações à constutora brasileira Odebrecht.

Presidente do Peru falou ao país rodeado pelos seus ministros
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Presidente do Peru falou ao país rodeado pelos seus ministros Reuters/HANDOUT

A oposição peruana apresentou uma moção para a abertura pelo Congresso de um processo de destituição do Presidente Pedro Pablo Kuczynski, que é suspeito de ter recebido pagamentos ilícitos da construtora brasileira Odebrecht e pode tornar-se o primeiro chefe de Estado em funções a cair por causa do escândalo internacional de corrupção descoberto pelos investigadores da Operação Lava Jato.

O pedido, que foi subscrito pelo partido fujimorista Força Popular e deputados de outras bancadas, foi anunciado depois de o Presidente (conhecido no Peru como PPK) ter feito uma declaração solene ao país através da televisão, defendendo a sua honra e desmentindo qualquer irregularidade. “A minha vida toda fui um homem honesto e estou disposto a defender a verdade perante a comissão de inquérito do Congresso e a procuradoria, a quem já pedi que levante o sigilo bancário das minhas contas”, afirmou, rejeitando os apelos da oposição para se afastar do cargo. “Não vou abdicar da minha honra, dos meus valores e das minhas responsabilidade”, garantiu.

Para o processo ser admitido, são precisos 52 votos, que estão garantidos uma vez que a Força Popular conta com 71 deputados. Para justificar o pedido de impeachment, a oposição alegou “permanente incapacidade moral” de Kuczynski, que era o detentor de duas companhias que beneficiaram de pagamentos suspeitos da Odebrecht. “Ele teve uma oportunidade para se demitir mas não foi capaz de o fazer. Ele quer agarrar-se ao poder”, criticou o deputado fujimorista, Hector Becerril.

O dinheiro em causa, quase cinco milhões de dólares, foi entregue há mais de uma década à Westfield Capital, propriedade de PKK, e à First Capital, empresa de um antigo sócio do actual Presidente e onde este trabalhou – nos dois casos, diziam respeito a contratos de consultoria. No período em que as transferências foram efectuadas, entre 2004 e 2013, Kuczynski ocupou os cargos de ministro da Economia e presidente do conselho de ministros do Governo de Alejandro Toledo (que tem pendente uma ordem de extradição dos EUA por alegado envolvimento no escândalo da Lava Jato).

A Odebrecht, uma das maiores construtoras mundiais, está a colaborar com as autoridades de vários países. O nome da empresa brasileira tornou-se sinónimo de corrupção, depois de os seus dirigentes terem sido implicados no complexo esquema de financiamento ilegal e trocas de favores investigado pela Lava Jato.

Os inquéritos revelaram que a teia se estendia a outros países da América Latina – os delatores da construtora já admitiram que pagaram subornos a políticos de pelo menos dez países da região. O ex-Presidente do peru, Ollanta Humala, e a mulher, foram detidos por suspeitas de pagamentos irregulares da Odebrecht durante a campanha eleitoral.