Suspeito de corrupção, antigo Presidente do Peru recebe ordem de detenção

Alejandro Toledo terá recebido 20 milhões de dólares da empresa de construção brasileira Odebrecht em troca de favorecimento em contratos públicos.

Alejandro Toledo, que recusa as acusações, encontra-se neste momento em Paris
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Alejandro Toledo, que recusa as acusações, encontra-se neste momento em Paris Reuters/MARIANA BAZO

O antigo Presidente do Peru Alejandro Toledo recebeu ordem de detenção depois de ser acusado de corrupção, por alegadamente ter recebido financiamento ilícito da construtora brasileira Odebrecht.

Toledo, que assumiu o cargo de chefe de Estado entre 2001 e 2006, é acusado pela Justiça do Peru de ter recebido cerca de 20 milhões de dólares em subornos (18,8 milhões de euros ao câmbio actual) em troca de favorecimento em contratos públicos. O antigo Presidente peruano, que vive nos Estados Unidos e está neste momento em Paris, já negou qualquer envolvimento.

Em causa estava a construção de uma auto-estrada que ligaria os dois países, Peru e Brasil. A acusação chega do antigo director executivo da filial da empresa brasileira no Peru, Jorge Barata.

Citado pelos media locais, o antigo líder do Peru rejeita as acusações. "Deixem que [Barata] diga quando, como, onde e para qual banco ele me enviou 20 milhões de dólares. Não irei compactuar com isto!", vincou. Toledo acredita que esta acusação se trata de um "linchamento político" e diz-se escandalizado com este "ataque" dos seus "tradicionais inimigos".

O actual Presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, já pediu a Toledo para que regresse ao país o mais rápido possível para que possa ser submetido a um questionário. Os advogados de Toledo pediram para pagar uma caução, mas o juiz que emitiu a ordem, Richard Concepcion, recusou o requerimento e insistiu na sua detenção e custódia.

A acusação a Toledo surge um dia depois de o actual Presidente colombiano e Nobel da Paz 2016, Juan Manuel dos Santos, ter sido também acusado de utilizar dinheiro da mesma construtora para a campanha da sua reeleição, em 2014.

A construtora brasileira, a maior do país, foi em 2016 acusada de pagar subornos a mais de uma centena de projectos em 12 países da América Latina e África, no valor de aproximadamente 788 milhões de dólares. A Odebrecht chegou a admitir ter pagado ao Peru cerca de 29 milhões de euros, entre 2005 e 2014, para assegurar contratos, detalha a BBC.