Relatório sobre os alunos do 4.º ano foi reduzido e o coordenador afastado

O nome de João Marôco ainda consta do relatório internacional do PIRLS como coordenador do estudo em Portugal, mas foi afastado quase logo a seguir a ter sido apresentada a primeira proposta do documento sobre os resultados dos alunos portugueses naquele estudo.

O presidente do Iave diz que foi adoptada uma "nova estratégia de comunicação"
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O presidente do Iave diz que foi adoptada uma "nova estratégia de comunicação" Nuno Ferreira Santos

O investigador que tem sido, no Instituto de Avaliação Educativa (Iave), o coordenador nacional dos estudos internacionais sobre o desempenho dos alunos foi afastado no mês passado, a poucas semanas da divulgação dos resultados da avaliação PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study) que afere a literacia em leitura das crianças que frequentam o 4.º ano de escolaridade. Os resultados foram divulgados nesta terça-feira.

Ao que o PÚBLICO apurou, o afastamento de João Marôco, que no relatório internacional do PIRLS continua a figurar como o coordenador português, terá sido concretizado pouco depois deste ter apresentado ao presidente do Iave, Helder de Sousa, a primeira proposta do relatório sobre o desempenho dos alunos portugueses.

Este relatório tinha mais de 150 páginas, à semelhança do que se passa com o documento que no ano passado deu conta dos resultados do TIMSS (Trends in International Mathematics and Science Study), um estudo internacional que visa avaliar a literacia em matemática e ciências também entre os alunos do 4.º ano. Mas o relatório divulgado nesta terça-feira não vai além das 48 páginas, onde está incluída igualmente a análise ao novo estudo ePirls, que tem como objectivo avaliar as competências digitais em leitura.

O responsável pelo Iave, que é o organismo responsável pelos exames e pela aplicação dos estudos internacionais em Portugal, justificou esta opção de reduzir o tamanho da análise com uma “nova estratégia de comunicação” deste instituto público. “Constatámos que as pessoas não valorizavam toda a informação secundária disponibilizada antes e que depressa desligavam” da leitura do relatório, justificou Helder de Sousa em declarações ao PÚBLICO, acrescentando que os dados que não foram agora utilizados darão origem a outras análises, que serão “publicadas com regularidade”.

Quanto ao afastamento de João Marôco, o presidente do Iave afirma que se deve “a uma reestruturação interna” no âmbito da qual foi “criada uma equipa” para os estudos internacionais, tendo-se decidido que deveria “ser a chefe desta a ocupar o lugar de coordenação”. Helder de Sousa afirma que o facto de a mudança ter ocorrido agora se deve “a uma mera circunstância formal”.

O afastamento de João Marôco foi oficializado por um despacho do secretário de Estado da Educação, João Costa, datado de meados de Novembro. O governante diz que se limitou a concordar com a proposta que lhe foi apresentada pelo Iave.

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